TESTAMOS A DUCATI MULTISTRADA 1200 S

Revisado em: 03/03/2018 | Categoria: Avaliações
Diário de Motocicleta

Difícil encontrar um motociclista que não gostaria de fazer um teste drive em uma super moto, e se esse teste fosse oferecido na condição de percorrer cerca de 2.400 km em uma Max Trail Ducati Multistrada 1200 S, com certeza teríamos uma longa e infinita fila.

Pois esta oportunidade surgiu para o Diário de Motocicleta, que em parceria com a Ducati Santos partiu para as curvas do Projeto Serras & Rastros, que em sua terceira edição, tem o prazer de guiar motociclistas por um incrível roteiro que engloba as mais deliciosas estradas do Sul do Brasil e que certamente povoam os sonhos de muitos apaixonados pelas duas rodas.

Documentos e chave nas mãos, foi só arrumar os baús (a Multistrada 1200 S já vem com baús laterais que juntos somam 58 L), e partir para estrada.

A primeira diferença é que não se liga o motor com a chave, ela é um sensor que ativa a moto por presença. Você vai usar a chave apenas para abrir os baús e o tanque de combustível que comporta 20 L.

A altura do banco também chama a atenção, cerca de 85 cm do chão, mas isso desligada, pois a Multistrada possui quatro níveis de pilotagem que acabam ajustando automaticamente o amortecedor bem como o sistema de ABS.



Falando em pilotagem, nosso roteiro começou pela Estrada dos Romeiros que vai de Barueri até Itu – no Estado de São Paulo. Uma estradinha simpática, vicinal, de curvas fechadas que margeiam o Rio Tietê.
Este percurso histórico abre o nosso passeio, já que por ali passavam os Incas vindos do Peru rumo à Santos até meados de 1.500 – uma aventura incrível que realizamos em 2011 no Projeto Caminho do Peabiru.

Com pouco mais de 70 km, a Estrada dos Romeiros passa por Pirapora do Bom Jesus e Cabreúva e requer muita atenção e mão leve, sendo assim, escolhi o modo (Riding Modes) Touring de pilotagem que libera os 150 CV da Multistrada, mas em nível LOW, para quem deseja curtir uma velocidade de cruzeiro com Sistema de ABS esperto.



De volta às autopistas, seguimos para Capão Bonito para pernoite, recuperando as energias afim de encarar as curvas da Serra Rastro da Serpente.

Batizada há alguns anos, o trajeto que compreende as rodovias SP-250 e BR-476, ligando Capão Bonito/SP à Curitiba/PR, possui segundo alguns, mais de 800 curvas em seus poucos 200 km.
Nunca parei para contar, mas garanto que é diversão na certa e que o perigo é iminente pois, também é uma estrada vicinal com uma sequência alucinante de curvas, onde alguns amigos brincam que é possível ler a própria placa da moto.

Mais uma vez optei pelo modo Touring e graças ao ABS combinado nas duas rodas e o sistema de controle de tração, consegui pela primeira vez (e olha que já percorri essa estrada diversas vezes com motos Custom e Big Trail) realizar todas as suas curvas sem escapar da faixa.
A segurança que a Multistrada oferece é incrível, quase como se houvesse alguém pilotando por você.

Foram aproximadamente 5h queimando os dois lados dos pneus até Curitiba, o que consumiu cerca de 19,5 km/L tendo como velocidade média a casa dos 80 km/h, com freadas e retomadas raramente passando da quarta marcha.

No terceiro dia descemos para Santa Catarina pela BR-101 e pude experimentar a sexta marcha e o modo Sport de pilotagem que libera toda a força da moto e a deixa ágil e extremamente forte.

Com as pistas sem trânsito, curti a sensação de alçar voo curtos de 160 km/h – respeite as leis de trânsito – mas como guiava um grupo de amigos, não podia me distanciar, só fazia isso para me posicionar para fotos e filmagens.
Para isto, a Multistrada 1200 é perfeita, pois seu arranque é rápido, a resposta é imediata e a única coisa que permanece no seu corpo, mesmo sem você se segurar bem, é a adrenalina.


Ao completar 1.000 km chegamos na cidade de Urubici, no alto das Serras Catarinenses de onde seguiríamos para a Serra do Corvo Branco conferir a maior fenda em rocha aberta em uma rodovia. Mas para isso, era preciso percorrer cerca de 5 km de uma estradinha de cascalho, e eu não via a hora de experimentar o modo Enduro de pilotagem, que reduz para 100 CV a potência da Multistrada e deixa a suspensão mais macia.

Confesso que me surpreendi com o baixo impacto que senti no banco. É claro que não se trata da mesma leveza da condução sobre o asfalto, mas as pedras soltas foram facilmente superadas, em boa parte por conta do sistema de tração que não deixa as rodas patinarem. O nome é chique - Ducati Traction Control (DTC), mas funciona num piscar de olhos, pois ao analisar o menor deslize, o sistema reduz o torque em até 60%. É uma incrível ajuda, quase que literalmente uma mão na roda.

Superado esse terreno off-road, subimos o íngreme Morro da Igreja para apreciar a Pedra Furada, que agora necessita de prévia autorização para visita, e seguimos ansiosos para Serra do Rio do Rastro.


Uma orientação que sempre passo aos amigos que guio pela Rio do Rastro é que usem o freio motor e muito pouco os freios, pois por experiência já vitrifiquei as pastilhas traseiras, e essa dica foi mais que oportuna, já que pegamos chuva ao descer a serra.

É preciso muita atenção em todas as situações, em especial com o chão molhado. Mas isso não tirou a diversão em descer e subir a estrada mais assombrosa do mundo. Neste trecho optei pelo modo Urbano, que tal qual o modo Enduro, libera apenas 100 CV, mas não deixa a suspensão tão mole.



Depois de quatro dias motocando no Sul do Brasil, posicionamos as motos em direção de casa, mas antes passamos por Morretes no Paraná para subir a Estrada da Graciosa e seus paralelepípedos lisos e desgastados.
Percorrer essa belíssima estrada na chuva é para os fortes e para a Multistrada que traciona muito bem e corrige, tal qual na estrada de cascalho, todo e qualquer deslize.


Voltando para casa, após 2.400 km em seis dias de pura diversão, a avaliação da Ducati Multistrada é excepcional.

Ao todo, a média de consumo variou entre 19 e 20 km/L. O conforto, seja pelo banco macio, seja pelo sistema de amortecedores - Ducati Skyhook Suspension (DSS) – que se ajustam ao modo de pilotagem escolhido e a carga (piloto – garupa – bagagem) é tão surpreendente quanto ao sistema de tração, que associado ao ágil ABS, faz de qualquer curva o traçado perfeito para quem gosta de moto turismo.



A posição de pilotagem é extremamente agradável, com um guidão aberto, onde os braços ficam quase na horizontal, já as pernas ficam levemente flexionadas para trás.
Desta forma, o painel de LCD bem à sua frente dá um show a parte com informações de km percorrido, autonomia, nível de combustível, temperatura e muito mais, tudo acionado com poucos toques nos botões localizados na manopla, que neste modelo são aquecidas.

Acho que a parte mais difícil foi devolver a moto.

Sugiro que os amigos visitem a Ducati Santos ou a concessionária Ducati da sua região para conhecer esta máquina de perto.

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