Entenda o Proj. Rodando as Cidades da Copa



Diário de Motocicleta

Quem me conhece sabe que eu não sei quantos caras jogam no gol... só para ter uma ideia do grau de importância que o tema futebol tem na minha vida, mas ai você deve estar se perguntando, que raios de projeto é este então?

Bom, há tempos nós sonhávamos em viajar pelo Brasil, na verdade, o plano sempre foi conhecer primeiro o nosso país, para só então sair em viagem pelo mundo.

Quebrar a cabeça montando um roteiro que cruzasse as cinco regiões foi um desafio superado, quando anunciaram a Copa do Mundo no Brasil.
O evento caiu como uma luva, já que distribuiram os jogos pelos quatro cantos do país.

Agora eu tinha um roteiro, e bastou um pouco de logística para traçar os mapas de uma volta completa, em sentido anti horário, saindo de São Paulo, subindo para Brasília, depois Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, Manaus (seis dias navegando o Rio Amazonas e depois descendo a BR-319), Cuiabá, Porto Alegre e Curitiba.

Vimos muitas Arenas ainda em construção, muita obra que até hoje não foi entregue, e nos tornamos os únicos turistas a visitar os 12 Elefantes Brancos erguidos/reformados para a Copa do Mundo.
Política a parte, focamos no turismo que estas 12 cidades "sede da copa" oferecem aos turistas, com ou sem um evento deste porte.

Em parceria pela 2ª vez consecutiva com o Salão Duas Rodas, nossa trip pelo Brasil terminou com a nossa moto mais suja do que nunca, em exposição no Anhembi, onde mais uma vez tivemos o prazer de receber o abraço dos amigos e escutar incríveis relatos de viajantes de moto.

CHUVAS E CURVAS ATÉ SALVADOR

12º dia de viagem
Cidade: Salvador/BA | Categoria: Diário do Piloto
Postado em: 18/8/2013
Diário de Motocicleta

Depois de um dia de descanso em Arraial D´ajuda, onde pretendíamos até curtir uma praia, acabamos ficando na Pousada vendo pela janela a chuva que não parava.
Foi até bom, pois precisava trabalhar no Site do Diário e consegui colocar muita coisa em ordem.

No dia seguinte, estávamos com as energias repostas para seguir até Salvador, a quarta Cidade-Sede a ser visitada em nosso projeto Rodando as Cidades da Copa.

O caminho, velho conhecido, já havia sido percorrido em 2010 quando descemos de Salvador até Ilhéus e depois Trancoso, seria feito agora em uma única perna e para lembrar o trajeto, pela primeira vez consultei os relatos do Diário de Motocicleta para relembrar por onde iríamosmotocar... e não é que as informações foram úteis! (rs)

Por conta das chuvas em Arraial não consegui arrumar o farol que nos deixou na mão, então os planos eram sair cedinho para viajar com a luz do Sol até Salvador.
Levantamos cedo, mas só colocamos a roda na estrada por volta das 9h15 e poucos km de cabo entortado a chuva começou.

Lamentei muito, pois os relatos de 2010 davam conta de uma estrada perfeita no asfalto com muito verde, montanhas rochosas e curvas com poucos caminhões.

Era o cenário perfeito para desenvolver uma boa velocidade e chegar cedo... nossos planos era chegar na Pousada da Mangueira do nosso amigo Jorge por volta das 17h... mas na pratica a teoria é outra.

A chuva durou aproximadamente 280 km, com raríssimos momentos de trégua e indignados trechos de asfalto seco, mas bastava comemorarmos e a cortina de chuva retornava e fechava o tempo novamente.

O asfalto lisinho de três anos atrás, onde estavam recapeando a pista, já não é tão tapete assim e muitos buracos surgiram com o descascar desse recapeamento. Crateras de 5 a 15cm de profundidade exigiram muita atenção e distância dos carros e caminhões que escondiam muitos deles e do nada um buracão aparecia cobrando um rápido desvio.

Tive sucesso na maior parte das tentativas.

A chuva foi tanta que para se ter uma ideia, esses 280 km debaixo d'água nos consumiu cerca de 4h – média de 70 km/h. A notícia boa foi o farol que voltou a funcionar, caracterizando mal contato que será resolvido em Salvador.

Passando cerca de 40 km de Itabuna, saímos da BR-101 e pegamos a BA-262 que liga Uruçuca até Ilhéus. Essa estradinha é mais longa que a BR-415 que liga a Itabuna à Ilhéus direto, mas suas curvas são deliciosas e não tem trânsito algum e quando chegamos ao litoral, não é preciso cortar a cidade de Jorge Amado, basta sair à esquerda rumo a Itacaré em uma pista de babar no capacete.

Ela é mais um trecho da BA-001 que não aparece no Google Maps, e não é de hoje. Em 2010 nosso trajeto seria muito maior quando descemos para Ilhéus se não ficássemos sabendo que entre Camamu e Itacaré a balsa foi substituída por uma ponte e uma belíssima estrada foi aberta em meio a uma Reserva Biológica.

Passando o trevo para Itacaré, basta seguir as placas para Salvador via Ferry-Boat e curtir a incrível Serra da Onça, uma estrada tapete, sem acostamento no meio da Reserva que se estende por incríveis 35 km mágicos.
Garanto aos amigos que é muito melhor que seguir pela BR-101 e os 100 km a mais no percurso são compensados a cada metro da estrada.

O único “senão” é a quantidade de lombadas que hoje existem nas várias cidadezinhas por onde a BA-001 vai passando depois de Camamu. Só mesmo depois de Valença que é possível entortar o cabo até Bom Despacho, onde pegamos o Ferry-Boat para Salvador.

Ao todo rodamos 664 km em 10h, por conta das chuvas e das curvas do caminho escolhido, mas valeu muito a pena.

Agora bora rodar Salvador e rever bons e velhos amigos que deixamos aqui.

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