Entenda o Proj. Antes do Fim do Mundo... e um pouquinho além.



Diário de Motocicleta

Você ceramente se lembra que o mundo ia acabar em 2012 por conta do Fim do Calendário Maia, certo? Então, qual era a melhor época para ir até o Fim do Mundo?

Com essa sacada, eu e a Elda partimos rumo ao Ushuaia em meados de Dezembro de 2012, carregados de ansiedade em cruzar a Patgônia e ver o Pôr do Sol no dia 22 de Dezembro - Dia do Fim do Mundo, en directo del Fin del Mundo.

Acontece que na altura de Floripa a Elda adoeceu, o que nos fez voltar para casa para deixa-la
No dia seguinte voltei para estrada afim de cumprir os contratos feitos com nossos parcerios.

Foi a primeria vez que viajei sozinho, e a loucura veio com a ausência da Elda, que durante oito meses planejou cada passo daquela aventura e agora, não estava mais comigo.

Os Ventos Patagônicos e o Rípio foram vencidos, vi pinguins, neve, viajei com a luz do Sol até as 23h, e não vi o Pôr do Sol no dia 22, por que estava chovendo, mas eu estava lá... no fim da RUTA 3 - eu desci por ela, e subi a RUTA 40, curtindo cerca de 850 km de rípio.

Apesar da companhia de muitos amigos, chorei sozinho por passar as festas de Fim de Ano longe da minha filha, por não estar com a Elda no dia do seu aniversário, e por vezes, atônito diante das tantas coisas que descobrimos sobre nós mesmo, quando estamos no mundo sem ninguém.

PUENTE DEL INCA

Cidade: Mendoza/AR | Categoria: Passeios
Postado em: 4/1/2013
Diário de Motocicleta

Uma coisa que me fascina desde os tempos de guri é a tal da Cordilheira dos Andes, e poder motocar por seus vales e curvas, é um sonho que até pouco tempo atrás eu nem ousava em ter.

Em 2011 subi a Cordilheira pela Bolívia, rodei todo o Altiplano Boliviano e Peruano, desci para o Chile com ela ao meu lado, e quando cruzei o Deserto do Atacama rumo ao Norte da Argentina e posteriormente o Chaco, evitava ao máximo olhar no retrovisor as Altas Montanhas diminuindo cada vez mais.
Foi uma despedida silenciosa, mas com certeza de reencontro, e um ano depois pude mais uma vez me encantar com seus paredões de pedra, em partes vistos no Ushuaia, depois de El Calafate até Mendoza, em alguns momentos distantes e outros mais perto.

Hoje foi um tipo de "bota fora". Segui para "Puente del Inca", no sopé do Aconcágua, com gigantes de pedra pra todo lado.

Se você buscar no Google Maps o caminho para Ponte Inca, o roteiro será pela Ruta 7, mas poderá notar a Ruta 13 do ladinho e com um trajeto mais curto, e se perguntará por que o Google não te mandou por ali. Eu te digo, o caminho é de rípio e eu tentei ir por ele, mas um morador com o qual buscava informações disse que é uma estrada fantasma e que não recebe manutenção há muito tempo e que nem se lembra de quando viu um carro ou caminhão passando por ali.

100 km de rípio ruim montanha acima? Desta vez eu passo por que não é a Ruta 40, é 13. Voltei para Mendoza e rumei para Ruta 7, cerca de 25 km da cidade.

Ai é só alegria e um pouco de caminhão.

No começo a paisagem é desanimadora, com a Cordilheira ao longe e dos dois lados parreiras de várias bodegas de vinho.
A reta termina com uma montanha vindo te dar boas vindas e as curvas começam ao lado do Rio Mendoza, que na Ruta 40 é completamente seco, mas que nas montanhas corre rápido, com uma água barrenta que desce dos paredões e desemboca em uma lagoa azul, azul, azul.

Acerca de 90 km depois se chega a Uspallata, onde um centrinho movimentado concentra restaurantes e postos de gasolina. Com o tanque cheio, cerca de 60 km te separam da Puente del Inca.

As montanhas crescem!

Paredões de rochas pretas, vermelhas, laranjas, amarelas, desfilam ao lado da Ruta 7 que vai margeando o Rio Mendoza e uma linha de trem desativada que daria um excelente roteiro turístico.

A insignificância do ser humano se exalta diante de tamanha imponência, e a mente se limpa e apenas absorve uma paisagem fantástica e única, sem pronunciar uma palavra em pensamento.

O instinto te faz o trabalho acelerar e deitar nas curvas que cruzam pequenos túneis que ousam perfurar a pedra dura para que carrinhos de brinquedo, em uma estradinha de nada, atravessem uma fração do seu tamanho.

Ao chegar a Puente del Inca, a movimentação de turistas tira a paz do lugar e atrás de uma feira de artesanato se esconde mais uma obra incrível da natureza aproveitada pela incrível civilização Inca.

A ponte em arco é uma formação natural criada por diversas substâncias minerais entre elas óxido de ferro e carbonato de cálcio, e abaixo dela, águas termais na casa dos 34 C° correm pelo Rio Cuevas até chegar ao Rio Mendoza.
Colado à Ponte, uma construção que muitos acham que se trata de engenharia Inca, mas não é. No início do Século XIX foi autorizada a construção de um balneário no local e por volta de 1904, com a construção da Linha Ferroviária Transandino – que vemos em frangalhos ao longo do caminho – a Puente del Inca ganha um grande impulso e chega até a Europa a notícia que suas águas quentes são medicinais.

Em 1917 começa a construção de um imponente hotel e abaixo da Ponte são construídos banhos com uma ligação subterrânea ao hotel.
Essa exploração começou a deteriorar o lugar e o trânsito de pessoas e veículos sobre a ponte começou a causar erosão até que autoridades proibiram o acesso à ponte. Porém, somente com uma avalanche em meados de 1965 é que o hotel foi abandonado, e hoje algumas ruínas e a capela continuam de pé.

É um passeio que vale a pena ser feito.

Como dito anteriormente, ao lado da Ponte se montou um comércio de artesanato com alguns restaurantes e lanchonetes. Uma dica de lembrança é comprar produtos que são emergidos nas águas do Rio Cuevas e que se cobrem de minerais, transformando qualquer coisa em um pedaço de rocha. Confira as fotos.

Ainda tive o prazer de conhecer um casal de Lauro de Freitas/BA – Márcio e Maitê – que estão dando uma boa motocada e voltando para casa. Combinamos de nos encontrarmos em Salvador no próximo projeto do Diário de Motocicleta.

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