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VISITANDO O MUSEU E A FÁBRICA DA DUCATI

Cidade: Bolonha/IT | Categoria: Passeios
Postado em: 22/7/2014
Diário de Motocicleta

Com o fim do Word DUCATI Week, Misano esvaziou apesar do início do Verão.
Arrumei as coisas e fui para estrada num dia de duas escalas, rodando primerio apenas 130 km até as instalações do coração da DUCATI.

Fui recebido pelo Diretor do Museu da DUCATI, o Sr. Livio Lodi que por si só possui uma história incrível.

Ele foi admitido na fábrica no final da década de 70 como operário montando motos. Depois migrou para o Departamento de Contabilidade e há mais de 10 anos cuida do Museu da DUCATI onde se considera um arqueólogo Ducatisti pois, sua principal atividade e foco, é resgatar a história da marca, que começou na década de 20 produzindo transistores de rádios.
Na época, muitos consideravam uma ideia maluca e absurda, já que as notícias se davam apenas pelos jornais e revistas, e nunca por uma caixa de madeira falante - me contou animado misturando Português, Epanhol, Italiano e Inglês, apesar de se esforçar em falar Português.

Continuou me contanto que, com a 2ª Guerra Mundial, a fábrica da DUCATI foi duramente bombardeada, porque a política nazista era controladora da mídia, da produção de aparelhos, a impressão de notícias.

Em anexo à atual Fábrica da DUCATI existe preservada as ruínas do que sobrou das antigas instalações.

Mas os irmãos DUCATI (Bruno, Adriano e Marcello) não se dobraram ao terror da Segunda Guerra e, com uma Europa destruída e repleta de estradas esburacadas, criaram um motor monocilíndrico especialmente para uma bicicleta.

Nascia assim em 1946 o Cucciolo, com apenas 1CV e capaz de fazer 100 km com um litro de gasolina.

O sucesso foi tão grande que os irmãos DUCATI mudaram de ramo e se fixaram no ramo das motocicletas.

Em 1952 lançaram à revolucionária Cruiser 175 cc com transmissão automática e ignição eletrônica, o que já apontava para um futuro de inovação tecnológica que acompanharia a DUCATI até os dias de hoje.

Dois anos depois, o engenheiro Fabio Taglione ingressou na equipe de desenvolvedores e lançou em 1958, a primeira moto com sistema Desmodrônico.

Muitos atribuem a criação deste sistema à DUCATI, mas na verdade, foi inventado no final do século XIX para máquinas têxteis, e consiste em controlar as válvulas de admissão de combustível por gatilhos controlados, ao invés de molas.

Em casos de motores muito potentes como nas motos de corrida e toda linha DUCATI, a mola não oferece uma resposta tão rápida e por vezes o pistão acaba empurrando a válvula, o que causa dano ao motor com o passar do tempo.

Podemos dizer que este é um dos segredinhos da potência das motos DUCATI.

O Sr. Livio me deu uma aula de história da empresa, enquanto andávamos pelo Museu, onde as motos estão organizadas em ordem cronológica de evolução e prêmios, e depois pelo pátio da fábrica, com mais de 64 mil m², onde cerca de 1000 operários podem montar de 20 até 300 motos por dia.

Durante este passeio andamos pela linha de montagem da Monster e Panigale. Seus motores são selados em 70 minutos e a cada 90 minutos uma moto nova sai do teste final.

É interessante ver que, pesar te toda a tecnologia, cada motor é montado manualmente, peça por peça... testado a frio, e ainda atendendo às especificações de cada país, onde a Panigale 1199 por exemplo, não pode passar de 100 cv no mercado Japonês.
Esse ajuste jé é aplicado naquele momento.

Bem descontraido e falante, o Sr. Livio me contou que o Brasil é um importante marco na expansão da marca no mundo, já que vários modelos passam a ser montados em Manaus para distribuição no mercado brasileiro, bem como para a América em geral.

Atualmente (2014) o Brasil possui a segunda e única fábrica DUCATI em operação no mundo.

No final, mudando de assunto enquanto saímamos daquele labrinto de corredores, ele me confessou que adora MPB e Bossa Nova, e admira vários corredores de Formula 1, de Chico Landi, Fittipaldi, Piquet e Massa, apesar da pouca sorte, observou com um sorrizinho, apesar do ar lamentador.

Terminamos nosso tour no refeitório da fábrica, aonde todos os funcionários, da diretoria a manhutenção almoçam juntos.
Na mesma mesa, uma mistura de línguas e etinias, concessionários e diretoria da holding brasileira, funcionários italianos, espanhóis, mas todos movidos por uma só emoção.

Entre despedidas e sobremesas, coloquei a motoca na estrada para mais uma perna nesta viagem, rumo a Brescia, a casa da GIVI que me apoia desde 2011.

Imagina o coração na boca!
#BoraMotocar

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