patrocinado por

UM DIA DE PERRENGUE - PARTE 1

48º dia de viagem
Dia: 20/9/2015 | Cidade: Palpalá/AR | Categoria: Diário do Piloto
Diário de Motocicleta

Nunca é fácil deixar San Pedro de Atacama, por mais que eu a visite, sempre a vontade de ficar mais tempo bate forte quando arrumamos as malas.

O melhor horário para sair é por volta das 10h da manhã, isso por que o Paso Jama fica fechado até às 8h, e a madrugada, em qualquer época do ano, cria uma fina camada de gelo na pista.

Saindo mais tarde, o Sol e os caminhões que são liberados a trafegar pelo caminho, desfazem essa película cristalina e as temperaturas ficam mais suportáveis.


Partimos debaixo de um lindo céu azul e Sol brilhando, e logo na primeira subida, quando atingimos 4.900 m de altitude, a temperatura despencou assim que passamos o Vulcão Lincacabur e o Juriques, os últimos dois vulcões a serem registrados neste projeto.

Conversando depois com um casal na aduana, eles me confirmaram que registraram -5˚C, isso em pleno meio dia.

Rodando a 120 km/h, cada km significa 1˚C a menos na sensação térmica, o que nos coloca em -17˚C. Coisas que só o Paso Jama te oferece.

Mas já foi mais frio... em 2011 patinei em um lago de gelo que passamos e constatamos que além de derretido, seu volume diminuiu consideravelmente.


O trâmite na Aduana foi rápido, estava vazia e bastou seguir os 4 passos:

1- Baixa na Migração do Chile;
2- Entrada na Migração da Argentina;
3- Baixa da moto na Aduana do Chile – entrega da autorização para transitar com a moto (Importação temporária de veículo);
4- Registro de entrada da moto na Argentina – por conta do Mercosul, nossa moto é um veículo nacional argentino e não precisa de autorização especial.

Tudo feito, partimos para o posto de gasolina ao lado, e encontramos um grupo de brasileiros de Floripa, em especial o amigo Zulmar que acompanha o Diário de Motocicleta e que se inspirou nas nossas dicas para realizar seu sonho de conhecer o Atacama.
Batemos um bom papo, dei outras dicas de caminhos e passeios e nos despedimos... seguindo cada um para seu destino... o nosso, a cidade de Palpalá, logo depois de Jujuy.


Quando passamos Susques a moto perdeu potência e mesmo mudando de marcha, nada a fazia continuar, até que parou e travou no lugar.
A sensação era de motor travado, pois nem mesmo em ponto morto e na ladeira a moto se movia.

Descemos e quando olhei para roda, fiquei assustado.
A corrente tinha caído, sem romper, apenas saíra da coroa com os dentes bem desgastados.
Não estou usando o KIT de Relação original, este é o segundo jogo e instalei o kit da JT Sprockets cerca de 1.000 km antes da nossa partida, e esperava que durasse algo em torno de 20.000 km, a média das relações paralelas, mas...

Ao lubrificá-la de manhã, havia notado o desgaste da coroa, mas a corrente não me parecia tão frouxa e não a ajustei. Porém, nestes quase 450 km o desgaste aumentou a ponto de ejetar a corrente.

O sistema de ajuste da corrente da DUCATI Multistrada é muito simples, basta soltar dois parafusos, e com uma chave especial, girar a coroa para trás até dar o ajuste.

Feito isso, e novamente lubrificada, seguimos nossa viagem rezando para que nada mais acontecesse.

Por estarmos com o pneu no fim da sua vida útil, seguimos em baixa velocidade, na casa dos 100 km/h fazendo planos de trocar o mesmo em Salta. Até que chegamos no Salar Grande (Salinas Grandes) e ao tocar o trecho de terra e pedra em que a estrada se transforma, o pneu furou.

Paramos para fotos, embora o cenário não estivesse assim tão bonito, pois a falta de chuva, e a poeira que sempre levanta da estrada, cobriu o sal branquinho em uma cor de adobe (barro) tornando o lugar em uma “salina de argila”.
Enquanto a Elda disparava seus cliques, conferi o pneu murcho com um chute, e em segredo fui buscar ajuda.

Até o borracheiro mais próximo, eu teria que voltar uns 10 km até uma pequena comunidade, mas falando com um rapaz, ele me encaminhou até um grupo de trabalhadores que refinavam o sal e que tinham compressor.

Deixei a Elda na beira da estrada com a bagagem e empurrei a moto por 500m até o compressor.
Inflamos o pneu e para pior surpresa, o furo novo era bem na trama já aberta.
Remendei e funcionou, mas até quando era um grande mistério.

Seguimos ainda mais devagar, na casa dos 85 – 90 km/h com a tensão a flor da pele, pois a cada cidadezinha ou borracheiro que eu passava, olhava no velocímetro a quilometragem, pois em caso de novo furo, eu saberia quantos km voltar empurrando a moto.

Chegamos em Palpalá por volta das 18h... finalizando 493 km em absurdas 8h de viagem.

Agora buscaríamos um pneu novo para seguir viagem.

fotos relacionadas
Parceiros neste projeto