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O TRECHO MAIS LINDO DE TODA PANAMERICANA SUR

41º dia de viagem
Dia: 11/9/2015 | Cidade: Arequipa/PE | Categoria: Diário do Piloto
Diário de Motocicleta

Por conta da péssima acústica do hotel, perdemos o sono por volta das 4h da manhã, o que jogou por terra nossos planos de sair antes das 8h para estrada.
A esta hora estávamos acordando, cansados por causa das poucas horas de sono, mas entusiasmados em rodar um dos trechos mais bonitos da Panamericana Sur.

Às 11h colocamos as rodas na estrada e aceleramos para ganhar tempo, enquanto a Panam aceitava nossos 120h/h.

De Nazca até Agua Salada são mais ou menos uns 140 km que permite essa velocidade alta, pois a maior parte do trajeto é de retas ou curvas bem abertas.

A atenção recai, no entanto, para os ventos que sopram do mar e das dunas de areia que invadem a pista e em alguns trechos chegam a cobri-la.
É preciso tirar a mão e ter foco em muitos metros à frente.

Quando finalmente a estrada encontra a Cordilheira à beira mar e sobe, o asfalto fica todo enrugado, com rachaduras e remendos.
Infelizmente se estende assim por 25 km, até a cidade de Chala.

Deste ponto em diante, começa o trecho mais cinematográfico da Panamericana Sur, com um asfalto bem melhor e curvas de enlouquecer.

Guarde seus cartões de memória e baterias para essa fase da estrada, pois a vontade de filmá-la inteira é muito grande, então esteja preparado.

Há três tipos de cenários muito distintos neste trecho entre Chala e Camaná, e que me deixa fascinado.
O primeiro é repleto de pedras retorcidas que afloram dos dois lados da pista e que em alguns momentos parece que você está em Marte, já que as rochas são vermelhas.

Depois, como se fosse outra estrada, o trajeto sobe cerca de 200 m acima do nível do mar e deslancha em uma gigantesca duna de areia branca... de um lado sobe a alturas impressionantes, do outro despenca em um penhasco até as pedras lá embaixo, onde o mar se choca com violência... isso tudo sem guard-rail.

Por fim, a Cordilheira toma sua forma mais natural... na rocha pura e a estrada segue pendurada na beirada da montanha, em um zigue-zague onde em alguns trechos é possível ver a estrada do outro lado do desfiladeiro, cruzando túneis.

Isso tudo com um céu azul que pegamos hoje, quase que no mesmo tom do mar arrebentando e levantando uma suave névoa. É uma estrada para fazer mais de mil vezes na vida.

Por sorte esta foi minha terceira passagem por aqui, e nem voltei para casa e já tenho em mente o dia que voltarei.


Depois de Camaná a estrada fica um pouco entediante, o mar se afasta, mas quando começamos a subir para Arequipa, as curvas ressurgem e quando acabam damos de cara com uma imagem de cair o queixo... cinco vulcões bem diante de nós... o Coropuna, o Ampato, Chachani, El Misti e Pichu-Pichu... todos com os últimos raios do Sol, em um fim de tarde inesquecível.

Foram 575 km feitos em 8h com paradas para abastecimento e muitas fotos.

Amanhã deixaremos o Peru e ingressaremos no Chile.

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