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ESTRADA DA MORTE VERSÃO COLOMBIANA

26º dia de viagem
Dia: 27/8/2015 | Cidade: Neiva/CO | Categoria: Diário do Piloto
Diário de Motocicleta

Depois de uma noite mal dormida, por conta do hotel que escolhemos (quando voltar ao Brasil falo mais sobre ele), saímos com o desafio de rodar 450 km entre Pasto e Neiva... antes de qualquer coisa, quando planejar viajar pela Colômbia, nunca almeje rodar mais de 200 km, e explicarei o por quê.

Assim que saímos de Pasto, as curvas da Ruta 10 nos impressionaram pela repetição se zigue-zague e com raríssimas retas e nenhum movimento... só a gente na pista.

Neste ponto eu já sentia que o dia ia ser longo.

Até Santiago foram 42 km em uma hora e deste ponto em diante, as retas foram mais frequentes, com uns 5 km de terra em uma parte em que a estrada está em construção.
Fora das pequenas áreas não urbanas, até deu para rodar na casa dos 100 km/h, mas a alegria durou até passarmos a cidade de San Francisco, quando a estrada começou a ficar esburacada até acabar de vez.

A placa de “Obra en Construción” me deu a esperança de logo voltar ao asfalto, mas não foi bem isso que aconteceu.

A estrada de cascalho, com pedras compactadas e soltas foi se estendendo por um, dois, cinco km e me lembro de ter dito para Elda que o asfalto uma hora ia começar.

Pesquisei sobre essa rota, e perguntei para dois amigos colombianos, mas nenhum deles me disse o tanto de chão que eu rodaria.
Juro que não os xinguei, nem mesmo depois de ter rodado 20 km e ter ouvido de um grupo de trabalhadores que arrumavam uma escavadeira que ainda seriam mais 30 km até o asfalto.

O negócio foi tenso.
Em alguns trechos a estrada se estreitava a ponto de passar só um carro, isso sem guard-rail e com penhascos a perder de vista.

Cada vez que passávamos por uma cachoeira a estrada virava lama e eu suava frio, prendia a respiração e fechava os olhos... eheheheh, brincadeira.

Por algumas vezes o vale se abria e era possível ver o traçado da estrada se perdendo no horizonte de montanhas verdes, sem o menor sinal de civilização.
E para quebrar a rotina, pequenos riachos com pedras redondas cortavam a estrada e faziam a Elda descer da moto para que eu passasse sem comprar terreno... e funcionou.

Depois de 60 km nesta típica estrada da morte versão Colômbia, finalmente o asfalto voltou na altura da cidade e Mocoa, mas não deu para comemorar muito tempo, pois os 128 km até Pitalito foram de lascar.

A cada placa de “Peligro”era preciso reduzir, pois a estrada simplesmente afundava cerca de 20 a 30 cm, ou sumia virando valas de cascalho do nada, e para dar uma pitada de emoção, caminhões desviando de buracos vindo pra cima da gente.

Tá certo que rodamos em 1h30 o que levamos para rodar anteriormente em 5h, mas já exaustos, queríamos um tapete debaixo de nós.

Em Pitalito abastecemos e seguimos os últimos 170 km já no anoitecer, temerosos pelo tipo de estrada que teríamos pela frente, já que conhecíamos três tipos, as de terra, as esburacadas e as repletas de curvas.

Mas parece que os anjos disseram Amém e nos deram uma estrada TOP, com asfalto liso, muito bem sinalizada e com curvas abertas, onde era fácil entortar os 110 km/h.

Depois de 10h na estrada, chegamos à Neiva e rapidamente encontramos nosso hotel... até pensamos em descansar um dia, mas seguimos nosso roteiro e partimos para Manizales.

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