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MUDANDO OS PLANOS

8º dia de viagem
Cidade: Putre/CH | Categoria: Diário do Piloto
Postado em: 10/8/2015
Diário de Motocicleta

Ao chegarmos no EcoLodge Tomarapi, fomos almoçar, pois estávamos apenas com o café da manhã e algumas bolachas pelo caminho.

O Albergue é muito rústico, mantido pela comunidade Tomarapi e os quartos são de Adobe, ou seja, de blocos de barro e telhado de palha, já que chove muito pouco na região.

Nosso quarto ficava de “esquina” e pegava os ventos gelados em duas das paredes e não tinha aquecedor que aumentasse a temperatura interna.
Pedimos para mudar de “habitación” e mais uma vez tive que carregar toda a bagagem, e acho que esse esforço me deixou debilitado.

Qualquer esforço a 4.200 m de altitude leva facilmente à exaustão, e carregar cerca de 65 kg pela segunda vez, fez minha cabeça explodir e a falta de ar bater pesado.

Para aliviar, fazia pequenas caminhadas como se fosse um astronauta, mas com o anoitecer, a temperatura despencou para os -5˚C, e ficar fora do quarto era cada vez mais difícil.

Pedi chá de coca e me fizeram um mix com três ervas que ajudou com o psicológico e me permitiu jantar.
Mas não demorou muito para a falta de ar começar novamente, agora com uma boa dose de agonia.

Eu tentava manter a calma e respirar devagar, mas o quarto estava me deixando com claustrofobia, e as várias camadas de cobertores faziam um peso sobre o corpo que não ajudava em nada.

Tive que dormir (na verdade cochilei várias vezes a noite) com apenas um cobertor e com a luz do quarto acesa, por que o escuro me fazia mal – vai entender.

Coloquei algumas toalhas molhadas na janela, sobre a cama e na porta do banheiro, afim de criar uma certa umidade no ambiente, mas na verdade eu só queria que amanhecesse.

Tão logo o Sol nasceu, levantei devagar, moído e muito cansado, com uma dor de cabeça menor e tentando respirar ainda.
Fiz algumas fotos e gravações e decidi que não era mais possível ficar ali.

Novamente como astronauta arrumei as bagagens, a Elda me ajudou a montar a moto e partimos logo após o café da manhã com o objetivo de chegar até Arica, no nível do mar.

Como queríamos fotografar os Vulcões Sajama, Parinacota e Pomerape, pegamos a estrada para Água Rica, que passa bem em frente destes gigantes.

As fotos ficaram incríveis como se pode ver abaixo, mas ao passar pela comunidade de Sajama, a estrada de cascalho (20 km até aqui) se tornou um areião que nenhum piloto de Off Road com garupa e 70 kg de bagagem conseguiria fazer melhor do que eu... 11 km rodando com os dois pés no chão, rebolando a moto pra lá e pra cá e atingindo no máximo 15 km/h.

Demorou uma eternidade, e quando chegamos no asfalto, já havia se passado mais de 2 h desde que deixamos o Albergue.

Seguimos para Tambo Quemado, pouco antes da fronteira com o Chile ávidos por combustível, mas o posto não tinha nota fiscal para emitir para estrangeiro e não podia abastecer a moto.

Com aproximadamente 80 km de autonomia, seguimos para aduana com os planos de conseguir chegar em Putre, abastecer e descer para Arica.
Acontece que a aduana chilena foi uma decepção, tanto no trato burocrático como no atendimento.

Os passos são:

1- Dar baixa na Migração Boliviana;
2- Dar baixa na Aduana (moto) Boliviana;
3- Preencher formulário de Migração Chilena;
4- Dar entrada na Migração com o formulário e documentos;
5- Preencher Declaração Juramentada de bagagem;
6- Passar toda a bagagem no scanner;
7- Preencher formulário de veículo;
8- Dar entrada na Aduana Chilena;
9- Acompanhar fiscal na fiscalização da moto
10- Seguir viagem.

Acontece que TODOS os funcionários da Aduana estavam com os olhos fixos no Whatsapp.
Na nossa entrada na Migração, o funcionário parava de dar nossa entrada, pegava o celular e ficava digitando... voltava a nos registrar até ouvir um sininho de mensagem nova... voltava para o celular e digitava novamente.

Minha cabeça ainda doía e meu sangue foi esquentando.
Mas tive que me conter, afinal, trata-se de um oficial, e ali, no meio do nada, o que estaria a meu favor ?

Gastamos cerca de 1h30 quando finalmente entramos no Chile e por uma estrada em construção, rodamos cerca de uns 10 km na terra até avistar a entrada para Putre com cerca de 4 km de autonomia.

Pra ajudar, não havia postos de gasolina, e tive que comprar em uma venda que me cobrou R$ 6.47 o litro (US$ 1,90).

Com o entardecer e mais 150 km pela frente, optamos em dormir em Putre mesmo, e seguir viagem no dia seguinte.

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