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TURÍSMO FRUSTRADO EM CUIABÁ/MT

Cidade: Cuiabá/MT | Categoria: Passeios
Postado em: 24/6/2015
Diário de Motocicleta

Quando chegamos em Cuiabá, faltava pouco menos de uma ano para o início da Copa do Mundo de 2014, a cidade estava com obras para todos os lados, com novas avenidas e alças de acesso em construção, e este caos generalizado nos levou a rodar por um bom tempo até acharmos a nossa pousada.

No dia seguinte, já descansados, saímos para conhecer a cidade e o primeiro lugar foi o Centro Histórico de Cuiabá, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e formado pelas primeiras vias urbanas da cidade, abertas a partir da descoberta de ouro em abundância às margens do córrego da Prainha, em 1722.

O período de mineração foi curto, durou até 1730, mas foi fundamental para definir os eixos de ocupação da cidade, que foi crescendo e consolidando outros espaços, como o quadrilátero do Largo da Matriz, onde, além dela, estavam o pelourinho, a casa de câmara e cadeia e a residência dos ouvidores e juízes-de-fora.

Ruas como a do Meio, de Baixo, do Beco e do Candieiro guardam muitas relíquias do período colonial e somam uma área com mais de 13 hectares, onde estão cerca de 400 imóveis.

Infelizmente a Secretaria de Cultura da cidade não atenta para o fato que turismo se faz todos os dias, e principalmente aos finais de semana, e alheio a este movimento, mantêm seus principais atrativos fechados aos sábados e domingos.

Não conseguimos visitar nenhum museu e até mesmo igrejas como a Catedral Metropolitana de Cuiabá estava fechada, bem como o Museu Morro Da Caixa D’água Velha.
Estes, entre outros, são abertos ao público de segunda a sexta em horário comercial, e embora haja sites informando a abertura nos finais de semana, na prática a teoria é outra.

Então se você for à Cuiabá, aproveite um dia durante a semana e visite o Museu Morro da Caixa D’água Velha que tem capacidade para armazenar 1,2 milhão de litros e que foi inaugurado em novembro de 1882, na gestão do Coronel José Maria de Alencastro.
Durante 142 anos foi a responsável pelo abastecimento de Cuiabá, que contava então com pouco mais de 20 mil habitantes.

A água, captada pela Hidráulica do Porto, por máquina à vapor, diretamente do Rio Cuiabá, era distribuída por canos de ferro fundido e, aproveitando a gravidade, chegava às bicas espalhadas pela área central da cidade, das quais eram carregadas em tambores por carroças e charretes ou em baldes, nos ombros de homens ou nas cabeças de mulheres, que, muitas vezes, faziam deste trabalho seu ganha pão.

O crescimento da população exigiu outras alternativas de abastecimento, e a velha caixa d´água foi desativada em 1940.

Por 65 anos seu espaço serviu a outras finalidades. Abrigou a estação de transmissão da Rádio A Voz D´Oeste, em seguida, foi local de ensaios do Bloco e depois Escola de Samba Beleza Pura.

No ano de 1991, foi elevada a Patrimônio Cultural da cidade, pela Câmara Municipal, e em setembro de 2007 foi revitalizada e entregue à cidade como o Museu Morro da Caixa D´água Velha, abrigando diversas exposições e variados eventos além das suas paredes que apresentam aspectos das antigas técnicas de construção, que usavam pedra canga e cristal, e argamassa sem cimento, com areia lavada e cal virgem.

Outro ponto turístico que também encontramos fechado, foi a Catedral Metropolitana, construída em 1722, inicialmente de pau-a-pique.
A Igreja Matriz de Cuiabá foi dedicada ao Senhor Bom Jesus e reconstruída em taipa entre 1739 e 1740.

Em 1868 passou por uma reforma que lhe alterou a torre e a fachada - novamente modificadas na década de 1920, ao mesmo tempo em que, a segunda torre foi construída.

O impressionante foi o fato que o pensamento modernizador vigente na década de 1960, tomou-se a absurda decisão de demoli-la, o que ocorreu em 25 de setembro de 1968, somente após várias cargas de dinamite, ato que por vários anos foi lembrado e lamentado, já que a antiga igreja era uma joia do período colonial.

No lugar dos escombros foi construído um templo novo, de concreto armado, obra que começou pela capela-mor, aos fundos, antes mesmo da demolição completa da antiga igreja, e foi inaugurada em 24 de maio de 1973.

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