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RASGANDO O MARANHÃO EM 8H

27º dia de viagem
Cidade: Belém/PA | Categoria: Diário do Piloto
Postado em: 2/9/2013
Diário de Motocicleta

Nosso 27° dia de viagem seria bem difícil por conta da distância a ser percorrida... 900 km entre Teresina e Belém.

Eu havia planejado uma parada no meio do caminho para pernoite, mas a Elda queria seguir direto para Belém e como mulher manda e homem que tem juízo obedece, partimos de Teresina por volta das 9h da manhã.

Não costumo fazer longas distâncias com a Elda na garupa, por que sei que para o piloto tudo é diversão, mas quem vai só apreciando a paisagem, um trecho deste tamanho fica muito cansativo.

O recorde da Elda era 850 km em 2011 quando fizemos o trecho Salta – Corrientes no chaco argentino. Me lembro que foram quase 14h pela Ruta 6 em péssimo estado de conservação que consumiu a ambos... agora, mais uma vez não sabíamos o que nos esperava, mas fomos assim mesmo.

O roteiro não tem mistério, BR-316 do começo ao fim, o único senão é a completa falta de placas de sinalização. Tirando milagrosamente as placas de lombadas, que são centenas ao longo do caminho, não espere encontrar sinalização vertical lhe informando sobre uma curva fechada – mesmo prevalecendo retas – distâncias até a próxima cidade e até mesmo qual sentido seguir em rotatórias e bifurcações... é um total abandono.

O asfalto é velho e em alguns trechos mal remendado, causando solavancos que convém diminuir a velocidade se não quiser continuar a viagem sozinho.
Mesmo assim, é possível manter um ritmo forte na aceleração por conta do baixo número de caminhões e retas constantes que facilitam as ultrapassagens... aliás, as retas só não entediam com na Ruta 3 na Patagônia, porque aqui não há terreno plano... é um sobe e desce sem parar.

Há bastante oferta de combustível, praticamente um em cada cidadezinha que a BR-316 cruza, poucos com bandeira conhecida, mas nada que altere visivelmente o rendimento da motoca.

O curioso destas cidades é a grande quantidade de motos de baixa cilindrada, com duas, três e até quatro pessoas andando de chinelo, bermuda e obviamente sem capacete.

Em uma parada para abastecimento, perguntei para o frentista que tinha uma Fazer, se ninguém se importava com capacete e se a polícia não pegava no pé, ao que me respondeu que durante a semana “o pessoal até usa capacete, mas nos finais de semana saem para beber e deixam o capacete em casa” (!).
Quanto a polícia, nem a militar nem a rodoviária fiscalizam.

Neste momento tive que controlar a súbita vontade de tomar umas geladas e andar sem capacete! Brincadeirinha!

Cruzamos o Estado do Maranhão em exatas 8h, percorrendo pouco mais de 600 km e assim que entramos no Pará, o que era ruim ficou pior.
Agora, além da ausência de placas, as faixas desapareceram e com o cair da noite isso seria perigoso.

Outra coisinha que sumiu também foi os acostamentos que viraram pasto para o gado... complicado.

Quando a noite caiu nos restavam ainda cerca de 250 km que fizemos em uma velocidade abaixo do que a usada durante o dia.

Encontramos pista molhada, mas não pegamos chuva.

Os últimos 100 km a BR-316 duplicam, mas não facilitam, ali começam a peça que faltava nesse repertório... buracos.

Pegar um final de viagem ruim é cansativo e estressante, ainda mais cruzando cidades agora maiores como Castanhal onde motoristas apressadinhos e motociclistas imprudentes sem capacetes costuram o trânsito. Quase vimos um idiota parar embaixo das rodas de uma carreta ao tentar passar entre o caminhão e uma camionete, num espaço que nem patinete passava. Por sorte o imbecil sobreviveu e ainda saiu xingando os dois veículos.

Passadas 12h – um tempo muito bom – chegamos em Belém perfazendo 955 km.

Agora vamos nos preparar para embarcar rumo à Manaus via Rio Amazonas... uma viagem dentro da viagem.

Bora navegar!

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