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DE VOLTA PRA CASA!

38º dia de viagem
Dia: 9/1/2013 | Cidade: São Vicente/SP | Categoria: Diário do Piloto
Diário de Motocicleta

O último dia é sempre o mais silencioso... marca o dia da volta e confesso que tenho problemas com isso. Amo as estradas, amo o que faço e por mais cansativo que seja todos os dias acordar cedo, rodar ou conhecer lugares, colher o maior número de informações possíveis, sem desligar a mente um segundo, e antes de poder descansar, tratar em média 40 fotos e escrever um artigo para os amigos que nos acompanham, ainda que durante semanas seguidas... eu amo isso. Aliar moto turismo, o prazer de descobrir lugares e poder guiar os amigos que sonham em percorrer estes caminhos faz de mim um cara feliz.

Daí o silêncio! Mas hoje, ele veio com certo desconforto, com certo conflito, pois pela primeira vez eu tenho alguém me esperando em casa, e a saudade come solta todos os dias enquanto paisagens maravilhosas me enchem de alegria e remorso, como se eu fosse culpado por curtir isso sozinho.

O jeito é colocar a motoca na estrada rumo para casa. Mais um dia longo, o terceiro de uma série de 1.000 km a serem vencidos.
Meu ombro esquerdo há dias está dolorido, não sei se mal jeito, ou o hábito de pilotar só com uma mão – não façam isso em casa – tenho suportado até as fases mais agudas que começam depois de 10h na estrada.


A primeira pista do dia seria a BR-277, velha conhecida de alguns roteiros pelo Paraná, como o Projeto Caminho do Peabiru em 2011.
É uma estrada deliciosa, com um traçado sinuoso, subindo e descendo vales e plantações que quase se equipara a Ruta 12 entre Posadas e Foz, descrita no artigo anterior.
Ela só não empata com a versão “hermana” por que os primeiros 160 km até Cascavel é monótona e com muito trânsito de caminhões e carros locais, com lombadas e trechos em obras. Para se ter ideia, foram cerca de 2h para percorrer esses 160 km iniciais. Mas passando Cascavel o tráfego melhora, mas mesmo assim é preciso atenção, pois tem muito caminhão.

A BR-277 é conhecida como a rodovia da morte, devido ao grande número de acidentes, e não é difícil de entender o por quê. Em uma das filmagens estou atrás de um caminhão que se afasta cada vez mais, enquanto no meu velocímetro estamos passando dos 120 km/h... imagina parar esse trem ou fazer a curva com ele?

Os caras pisam forte!

De Cascavel até Curitiba são cerca de 500 km sinuosos que consomem tempo e dinheiro, já que existem vários pedágios onde moto paga R$ 4,50 para passar. Só na BR-277 de Foz até Curitiba são R$ 35,70... até São Paulo ainda seriam mais R$ 6,80.

Gravei dois cartões de memória e por volta das 17h30, meia hora antes de chegar em Curitiba, a segunda bateria da Go Pro apagou.
Fiz poucas fotos por conta da preocupação com o horário, mas o DVD vai ficar show!

Quando abastecia pela segunda vez – a primeira foi em Virmond e não há com o que se preocupar, postos de combustíveis não faltam na BR – a Elda me ligou perguntando se não seria melhor eu dormir por lá e continuar a viagem no dia seguinte, já que chovia muito na Baixada Santista. Enquanto ela falava comigo eu olhava o horizonte negro de nuvens das quais com certeza eu não escaparia, e saber que próximo de casa também chovia, não me dava outra alternativa a não ser me molhar... e lá fui eu.
Quando acabou o Anel Viário de Curitiba e eu entrei na Régis (BR-116), a chuva começou com um chuveirinho besta que foi me acompanhando sem parar e, quando finalmente anoiteceu, o molho caiu.

A pista sumiu da minha visão e as lanternas dos caminhões eram as minhas guias. Junto a isso, um vento lateral que eu nunca tinha pegado na BR-116 e que quase me derrubou duas vezes.
Com isso minha velocidade diminuiu e foi possível poupar gasolina, sem a necessidade de abastecer antes de chegar em casa.

Entre Registro e Miracatu, por ironia do destino, um céu estrelado me arrancou sorrisos molhados quando vi placas indicando Santos. Mas foi por pouco, pois as nuvens voltaram quando eu entrei na Serra da Banana e próximo à Peruíbe a chuva veio me dar as boas vindas.

Com o ombro latejando e 1.079 km depois, as últimas 14h que completaram 15.980 km cravados ... eu estava de volta.


Agradeço aos mais de 48.000 apaixonados por moto turismo que acessaram o site nestes 38 dias de viagem e acompanharam esta aventura pelo Cone Sul.

Aos amigos que se uniram para diminuir a falta orçamentária que 3 empresários sem palavra nos causaram. E em especial o patrocínio de:

Casarão Motos Suzuki (Santos/SP)
Go Ahead Segunda Pele (S.J. do Rio Preto/SP)
Sanvi Imóveis (São Vicente/SP)
TeckLock Trava Anti-Furto (Santo André/SP)
Baús GIVI (Pindamonhangaba/SP)
Botas Mondeo (Franca/SP)
X-Brasil (São Paulo/SP)
Johnny Bordados (São Paulo/SP)
D&G Corretora de Seguros (São Paulo/SP)
Rivanildo Alves (MOBIL – Baixada Santista)
Le Macchinari Lava Moto (Cotia/SP)

Estas empresas possibilitaram ao Diário de Motocicleta, levar até vocês relatos e fotos incríveis e que agora serão complementadas com mapas, dicas de hotéis e restaurantes, todos os passeios feitos, custos e muito mais... continuem na nossa garupa virtual!

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