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RUTA 40 - COMEÇA UMA NOVA HISTÓRIA

21º dia de viagem
Cidade: El Calafate/AR | Categoria: Diário do Piloto
Postado em: 23/12/2012
Diário de Motocicleta

O dia começou cedo, com uma noite muito curta, já que fui dormir tarde redigindo e trabalhando em fotos pendentes.

Como o trajeto a ser feito hoje era curto, aproveitei a manhã para trabalhar outro artigo e somente ao meio dia sai do hotel.
Tinha em mente antes de rumar para El Calafate, tirar uma foto do 0 Km da Ruta 40 que começa ao lado de Río Gallegos. E lá fui eu descendo a Ruta 3 novamente ao Sul, coisa de 10 km, quando fui parado em um posto de Controle da Polícia. O oficial muito simpático pediu que eu entrasse e apresentasse meu documento.

Parei a moto ao lado de uma BMW 800 com placa de São Paulo, e quando entrei havia conheci o casal Flavia e Guilherme que estavam rumo ao Ushuaia.
Após apresentarmos os documentos, ficamos batendo papo na frente do posto, trocando informações sobre o caminho para o Ushuaia e para El Calafate, de onde eles vinham.

“Orra meu, os cara são da Mooca” e fui encontra-los em um posto policial na Ruta 3 – esse mundo prega cada surpresa.

Nos despedimos com os planos de passarmos o Ano Novo juntos em Bariloche, já que estaremos todos lá neste dia.
Eles desceram a Ruta 3 e eu segui pela Ruta 1, pois a oficial disse que era o melhor caminho para o 0 Km da 40, que pelas placas começava ali do lado do posto, mas por haver várias saídas, eu poderia me perder.

Acontece que a Ruta 1 é rípio, e não é só por que eu não ligo mais pra isso que toda hora tenho que andar a cavalo... mas beleza... a oficial é local e sabe das coisas.

Depois de 18 km sem nada e sem uma placa, parei o único caminhão que vinha ao meu encontro e pedi a informação de quanto faltava para o acesso a Ruta 40, ele disse que ali não havia e que a oficial não sabe onde mora! Boa!

Pegou um mapa e me mostrou o que eu já sabia.

Voltei os 18 km de rípio, subi a Ruta 3 até o posto policial e sai a direita na Ruta 40 até o seu fim... uns 27 km!
A estrada está cheia de buracos e atropelei alguns com dó da minha suspensão, por que na velocidade em que viajava só dava para ficar de pé na hora do atropelo.

Quando cheguei no finzinho, um porto! Pedi informação para um segurança particular que chamou um senhor que começou a me explicar o caminho para o 0 Km da Ruta 40 – e era pela Ruta 1 onde eu já tinha passado. Disse a ele que no mapa a Ruta 40 terminava ali, e ele concordou e completou que as autoridades mudaram o 0 Km para o final da Ruta 1.

É como se o 125 km da BR-116 fosse no 1400 km da BR-101!
Para!

Fiz ali mesmo minha foto, filmei e parti com o dever cumprido. Tá no mapa, eu tava ali e pronto... bora para El Calafate que nesta brincadeira já se passavam das 14h.

Abasteci depois de rodar 110 km e segui a Ruta 5 ao invés da Ruta 40 que dá uma volta maior acrescentando mais 250 km em média ao caminho – estamos com racionamento de gasolina.

A Ruta 5 não difere muito da Ruta 3... é nada do lado direito e nada do lado esquerdo, o plus vem com subidas e descidas e algumas curvas grandes, no resto, retas até o horizonte.

Por volta de 200 km depois, chega-se a uma parada chamada La Esperanza, que é um Hotel com posto de gasolina – único posto do caminho e convém abastecer – um pequeno comércio e um posto da polícia. Ali termina a Ruta 5 quando ela encontra a Ruta 40.


A RUTA 40


Neste trecho, o horizonte que eu vinha perseguindo, carregado com nuvens escuras, estava mais próximo e por precaução, já tinha guardado a máquina fotográfica no baú para não pegar chuva.

Deste ponto em diante me senti como um caçador de tempestades, pois a cada curva da Ruta 40 o cenário mudava e o visual com as nuvens de chuva descarregando água em cortinas cinzas, fazia da paisagem algo espetacular.
Por vezes vibrei quando a estrada me tirava do caminho de uma gigante que chovia e uma me chamava muito a atenção ao meu lado direito de onde começava a soprar um ventinho mais forte.

Parei mais uma vez a moto para fotografar e me preparei para a água, já que na minha frente não se via mais nada do que um grande véu de água. Quando estava preparado, depois de um grande suspiro antes da chuva, a Ruta 40 mudou seu trajeto e me levou direto para a grande nuvem negra que antes eu estava fotografando.

A temperatura começou a baixar rapidamente enquanto o dia ia escurecendo e as gotas iam salpicando o capacete. Dali a pouco os “pec pec” de gotas deram lugar aos “tec tec” e pequenas dores nos braços e pernas, até que ao passar por uma grande poça de água ao lado da estrada, vi que os pingos levantavam muita água e me dei conta que aquilo era granizo.

O barulho no capacete começou a aumentar e não tinha como se esconder, apenas torcer que as bolinhas de gude parassem e/ou não aumentassem para ping pong ou basquete.

Por sorte em cerca de 600 m as pedradas pararam e fiquei de frente para El Calafate lá embaixo, há cerca de uns 50 km onde o Sol brilhava. O visual foi de outro mundo. Atrás de mim um monte de pedra caindo, na frente um céu azul firmando.

Eu gritei muito dentro do capacete nesta hora, “obrigado meu Deus”.

Parei para mais fotos mesmo com o frio forte que fazia ali. Subi na moto e desci a serra até El Calafate aonde cheguei por volta das 19h30 depois de rodar 441 km.

Amanhã sigo para conhecer o Glaciar Perito Moreno. Aguardem!

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