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HAHA! HUHU! O USHUAIA É NOSSO!

17º dia de viagem
Cidade: Ushuaia/AR | Categoria: Diário do Piloto
Postado em: 19/12/2012
Diário de Motocicleta

Quando abri a cortina às 6h30 da manhã (horário local) constatei o que já tinha ouvido a noite toda... a chuva caindo!
Esperava um milagre patagônico, mas em se tratando do tempo, nem as “mandingas climáticas” do meu amigo Abelão (A Tribo do Asfalto MC) são capazes de trazer o Sol.

Arrumei as malas, levei parte para moto e fui tomar o café da manhã esperando que ao menos diminuísse, mas ao invés disso, apertou ainda mais. Já estava me conformando em pilotar molhado, e comecei a questionar minha resistência em ter uma capa de chuva... enfim... bora motocar.

Na hora de tirar a moto do estacionamento encontrei ao lado dela um galão de 5 L de água e tomei aquilo como um sinal e levei o galão para o posto e completei com “nafta” para a longa viagem que teria pela frente. Seriam apenas 570 km, mas de muitos desafios.

Aduanas e Migrações

Entrei na Ruta 3 às 9h da manhã com chuva, frio e ventos laterais, e consegui chegar na Aduana Chilena por volta das 10h30, percorrendo apenas 70 km para se ter ideia da força do arrasto.

A fila saia da aduana e logo estava conversando “muy bien com los Hermanos” que obviamente ficaram curiosos por me ver de moto naquela chuva e frio... sim, a fila ficava na chuva, que por sorte começou a diminuir para uma garoa, até que parou.

Ficamos falando de rutas, combustíveis, pontos turísticos até chegarmos em política. A curiosidade e admiração deles pelo governo populista de Lula é uma coisa irreal, agora, se no Brasil com todos esses escândalos ainda se vota no PT, o que dirá a impressão do mundo quanto a este tão maravilhoso partido?

Bom... deixei a politica na fila da Aduana que ainda levou cerca de 2h30 para resolver todos os trâmites. Primeiro é necessário preencher uma declaração que você não leva frutas e legumes e que não carrega mais de 10 mil dólares.

Depois na longa fila, temos que passar na Migração Argentina onde me pediram o “Permiso” de ingresso ao país, aquele que o oficial na entrada de Buenos Aires disse que eu não precisava, pois bem, precisa sim. Não gera problemas, mas fiquei mais tempo no balcão enquanto consultavam meus registros para ver se eu não tinha assaltado um banco ou coisa do tipo.

Feito a “entrada” e saída, pulamos para o balcão de Migração Chilena e damos nossa entrada, e só então pegamos a fila da Aduana Argentina que sinceramente não sei para que serve, já que não nos é dado nenhum papel e a agente sequer pede Carta Verde, apenas olha os documentos da moto e diz “muy bien”.

Agora vamos para o balcão da Aduana Chilena onde é preciso o preenchimento de um formulário com os dados da moto – nada de pedir a Carta Verde – e por fim a tal da declaração que não levo frutas e legumes.

Ainda revistaram minhas malas antes de me liberarem.

Nessa brincadeira perdi um tempo considerável, que poderia muito bem ser minimizado se Argentina e Chile fossem bons amigos e me perguntassem “aonde o senhor vai? Ushuaia? Pode seguir!”

Toda essa burocracia para rodar cerca de 200 km de território Chileno... depois reclamam do Brasil.

O Estreito de Magalhães e o rípio

Dali uns 40 km veio o Estreito de Magalhães onde por sorte não esperei mais que 25 minutos para embarcar. A travessia também é rápida, com o mar agitado não passou de meia hora e foi muuuuito mais barato do que eu esperava, $ 65,00 Pesos – na conversão pelo preço que paguei cada Peso, coisa de R$25,00.

Novamente em terra, começou a ansiedade pelo temível e mal falado rípio, mas nada dele, ao contrário, uma pista de concreto lisinho que chegava a dar raiva, do tipo “acho que vou me lembrar deste asfalto por muito tempo”! E não deu outra, 38 km depois vem o fim do pavimento.

Tomei informação com um caminhoneiro parado no início do rípio se ali seguia-se para o Ushuaia, o mesmo disse que sim, que seriam 125 km e que os primeiros 60 km eram bons e que depois ficava difícil.

É impressionante a quantidade de informação positiva que a gente recebe por estes lados... é condições das estradas, clima... uma maravilha.

E lá fui eu!

A primeira hora consegui percorrer 35 km, mas confesso que parei bastante para filmar e fotografar, e isso consome tempo haja visto a demora em tirar e colocar luvas, ajustar balaclava, abrir baú, guardar equipamento, enfim...

Na segunda hora não parei um minuto sequer e percorri 50 km, já fiquei animado e dei a mim mesmo o título honorário de “Domador de Rípio”, mas não foi de todo mérito meu, o dado e mal falado é muito fácil, bem compactado e de longe chega na dificuldade dos 22 km para Punta Tombo, quando fui ver os pinguins.

O segredo está em seguir o caminho aberto pelos carros, e a melhor pista é a da contra mão, pois a que segue para o Ushuaia é muito esburacada e com pedras soltas.

Na terceira hora finalizei os últimos 40 km, mas tive antes que dar baixa da minha entrada no Chile mais uma vez entrando na Aduana e Migração Chilena. Só de burocracia, gastei o mesmo que no rípio.

A velocidade média foi de 60 km/h, mas consegui em alguns trechos rodar a 80 km/h.

Chegando ao USHUAIA

O asfalto volta junto com a Aduana e Migração Argentina, onde você tem que dar entrada em todos os papéis novamente. Lá se foram mais 30 minutos e quando abasteci, completei o tanque com meus 5 L reserva e segui viagem. Ainda faltavam 290 km.

Em parte deste trecho, mais precisamente em Río Grande, o Sol e o céu azul apareceram com força, mas o horizonte continuava carregado e eu não conseguia desprender os olhos do relógio. Embora aqui o Sol brilhe até umas 22h horas, o frio a cada minuto aumentava mais.

Faltando 200 km para o Ushuaia a Ruta 3 me presenteou com um dos trechos mais bonitos, senão o mais belo desta Ruta de mais de 3.000 km... curvas em meio a uma floresta fantasmagórica, com árvores tortas e secas, mas não mortas... sinistro demais.

A temperatura foi caindo, caindo, caindo e em alguns momentos com a baixa vinha a chuva.

Juro que eu xingava cada visual lindo que me obrigava a parar para fotografar, coisa que fazia com muito prazer, mas tinha comigo que não conseguiria chegar nunca no hotel.

Já passava das 22h30 quando dei entrada na recepção e fiquei sabendo que infelizmente aqui não tem internet.

Quando eu jantava o amigo Eduardo, amigo em comum do grande Gugu de Taubaté (Brazil Riders como eu) chegou no hotel para me dar as boas vindas. Conversamos bastante, fizemos algumas programações e quando voltei para o quarto, despenquei na cama.

Depois de mais de 12h para chegar aqui, eu só queria dormir... nos próximos dias conhecerei e apresentarei a vocês o "Fin del Mundo".

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