620 KM PELO URUGUAI

6º dia de viagem
Cidade: Buenos Aires/AR | Categoria: Diário do Piloto
Postado em: 8/12/2012
Diário de Motocicleta

Hoje minha briga foi com o relógio.

Quando meu celular tocou... desliguei crente que eram 7h da manhã, mas me esqueci que hoje era sábado e que o danado toca às 8h.
Arrumei as malas tranquilamente, tomei um banho e só quando fui conferir as horas para descer até o café da manhã, me dei conta que já estava uma hora atrasado.

Acelerei o passo, pois antes da Aduana, precisava passar na casa de câmbio – DICA IMPORTANTE – se você for ao Chuí para seguir viagem para o Uruguai ou mesmo Argentina, faça o câmbio lá... é muito mais rentável, principalmente na compra de Pesos Uruguaios e/ou Argentinos.

“Cambiada la grana” segui para a fronteira, fazer “Migración y Aduana”. O jogo foi rápido, em cerca de 10 minutos fui atendido, preenchi o formulário do “Permiso”, conferiram meus documentos e me liberaram. Sem enrolação ou dor de cabeça.

O segredo de aduanas é não ter pressa, ser simpático e conversador que a fiscalização flui e você parte rápido... e eu parti!
Estava com o tanque cheio, mas se o amigo cometer a besteira de ir com o tanque na metade ou mais vazio, há um primeiro posto cerca de 25 km da Aduana, depois deste, só após 100 km.

Segui em velocidade de cruzeiro e sinceramente não sei de onde tirei a ideia que no Uruguai era um hora a menos... por conta disso segui até a Lagoa Negra e depois dei uma volta no Forte Santa Tereza... não deu para visitar por dentro, pois só abria ao meio dia, foi ai que eu me informei com o oficial na guarita do Forte e vi que era o mesmo horário de verão do Brasil.

A essa altura eu já estava uma hora fora do tempo e segui para Punta Del Este sem entortar muito o cabo - gastei muito ontem rodando na média dos 150 km/h.


Acessei a primeira entrada para Punta e recomento aos amigos o caminho... é uma estradinha em meio a condomínios de luxo com um asfalto que de olhar dá arrepio tamanha a quantidade de remendo... mas os caras trabalharam direito, e não se sente solavancos ao longo do trajeto, que é cercado de árvores.

Por este caminho você vai sair na parte mais rica de Punta del Este – se é que existe parte menos rica – e depois de cruzar um centrinho e uma orla repleta de casas lindas que te farão sentir-se pobre, você poderá curtir as “ondas” da Ponte da Barra de Leonel Viera, mais conhecida como a ponte ondulada, que está sobre o “Arroyo de Maldonado”, antes de sua desembocadura no Oceano Atlântico. É única pela sua forma e estilo e foi construída em 1965... mas não acelere muito, pois é fácil decolar da ponte.


Dali fui até a Mão do Afogado, obra do mesmo artista plástico que construiu a Mão do Deserto – Mario Irarrázabal – e que segundo dizem, as duas mãos estão alinhadas e dão um abraço no Cone Sul.

Presença registrada... já estava super atrasado para chegar até Montevidéu, e para ajudar entrei na pista Interbalneária sem abastecer. No 20º km minha segunda fase de reserva abriu e o coração veio na boca.
Tive que sair da pista e entrar em cidadezinhas para abastecer. Se você cometer essa mesma burrada, saiba que no KM 63 tem um posto, depois no 53 e 51... daí pra frente abre porteira e chove posto... mas muito mais do outro lado da pista.

Cheguei à Montevidéu por volta das 17h30 e encontrei uma cidade vazia e fechada.
No planejamento, estaria no segundo dia de turismo, mas a volta para casa e a retomada da viagem deixaram o roteiro previamente planejado fora dos eixos... e tentei uma última cartada para arrumar as coisas... segui para Colonia del Sacramento afim de pegar o Buquebus rumo à Buenos Aires.
Foram mais 167 km de muito vento lateral e frontal que me fizeram chegar em Colônia por volta das 19h30.

Segui para o terminal e fui atrás de informações acerca de Aduana e Migración na Argentina... depois de muita besteira dita, deduzi que a burocracia argentina só mesmo do outro lado do Rio da Prata.
Comprei a passagem para mim e para a moto. Custo: 2.150 Pesos Uruguaios – cerca de R$225,00.


Quando a aduana abriu, corri para entregar o “Permiso”, pois queria ir jantar e cambiar o que sobrou de Pesos, mas quando estava saindo da Migración, uma policial disse que eu não poderia mais sair e que tinha que subir para o andar de cima.


Por sorte havia uma lanchonete, mas mesmo assim fiquei cerca de 1h30 esperando a autorização para descer e pegar a moto.

A travessia demorou uma hora e agora sim, na Argentina uma hora a menos que no Uruguai, ou trocando em miúdos, horário de Brasília sem o horário de Verão.

Ao sair do Buquebus, uma fila se forma para que fiscais da Aduana revistem aleatoriamente alguns carros... quando chegou minha vez, disse que precisava de migração e aduana. O oficial muito simpático solicitou minha Carta Verde, RG e Documento da moto, conferiru e me entregou desejando boa estada.
Disse-lhe que atravessaria o país de ponta a ponta e se não havia necessidade do "Permiso", ao que respondeu que estou em casa por conta do "Mercosul" - assim sendo não preciso de papel algum... aleguei que em Paso de Jama ano passado haviam me dado uma autorização e mais uma vez ele disse que eu estava no Mercosul... vamos ver o que vai dar essa simpatia quando me pararem na estrada.


Amanhã começa o City Tour por Buenos Aires.

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