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45º DIA - DE IGREJAS A MÚMIAS

45º dia de viagem
Cidade: Salta/AR | Categoria: Diário do Piloto
Postado em: 13/9/2011
Diário de Motocicleta

Salta na Argentina é uma cidade para passar uma semana, tamanha a quantidade de Museus, Igrejas, Parques e passeios que existem disponíveis ao turista.

Chegamos aqui no domingo (11/09) com a pretensão de ficar um dia e partir hoje (13/09)... mas ainda estamos aqui!
Mas infelizmente nosso cronograma está apertado e temos que partir amanhã.

Salta está em meio à festividades de comemoração a Virgen del Milagro, padroeira da cidade, o que traz inúmeros peregrinos de todas as partes da Argentina, numa demonstração muito bonita de fé.

Hoje a Basílica de Salta amanheceu cercada com um cordão de isolamento para que os peregrinos pudessem chegar facilmente até suas escadarias e entrar na igreja com suas imagens e estandartes.
Esses peregrinos caminham quilômetros até Salta... muitos vem à cavalo, celebrar uma festa realmente incrível.
Por conta disso, descobrimos que alguns pontos turísticos estavam fechados como o Palácio Legislativo, o Museu de Belas Artes Areas Rangel e o Museu de la Ciudad Casa de Hernandez... fomos até eles e demos com a cara na porta.

Mas o dia não estava perdido não... visitamos a Igreja de San Francisco, o Museu de Arqueologia de Alta Montanha, o Museu Histórico del Norte e o Museu de História Natural.

Quando voltarmos para casa (infelizmente em breve) postarei mais detalhes e fotos sobre todos estes passeios... agora vou comentar apenas sobre a Igreja de San Francisco e o Museu de Arqueologia de Alta Montanha, ok!?

Quando o Jeová estava viajando conosco (até chegarmos em Cuzco/Peru) ele costumava brincar que eu faria o "Diário de Roma" por conta das visitas que eu faço em igrejas (rs).
Não sou um católico fervoroso, até discordo com algumas posições da Igreja católica, porém não discuto religião por nada neste mundo, mas acho incrível a arquitetura e a história que estas igrejas carregam nas suas paredes e abóbadas, sem falar do lindo trabalho de arte em suas linhas e esculturas... realmente é um passeio que muito me agrada e garante fotos incríveis, quando se é permitido fotografar (sempre sem flash).
Hoje foi a vez de conferir a Igreja de San Francisco... fantástica construção de 1882, bem diferente da original do século XVI, possui uma torre de 70m de altura construída separadamente da igreja que impressiona pelo conjunto.

O interior é incrível com vários altares laterais grandiosos dos dois lados que servem de moldura para o altar mor com uma cúpula altíssima que possui uma pintura em perspectiva incrível que dá a sensação que ela é muito mais alta que realmente é.
O grande apelo desta igreja são esses altares laterais que impressionam pela ornamentação e esculturas.

A entrada é gratuita e pode-se fotografar, mas os horários são malucos, das 9h às 13h e das 16h às 21h.

Vale muito a pena conferir essa maravilha.

Outro passeio imperdível que fizemos hoje foi visitar o Museu de Arqueologia de Alta Montanha na Praça 9 de Julho.

Ele narra a descoberta de três crianças Incas, ofertadas aos deuses, e a fascinante cultura Inca.
Não pensei que fosse ver tanta história Inca aqui na Argentina, mas Salta fez parte do Império Inca e apenas nesta região, mais de 8 crianças já foram encontradas.
Já comentei sobre a Juanita, outra menina Inca ofertada aos deuses no nosso passeio em Arequipa/Peru e a história encontrada neste museu complementa muita informação.

As crianças conhecidas como La Doncella, La Niña del Rayo e Lo Niño, foram encontradas a mais de 6.000 m de altitude no Vulcão Llullaillaco em meados de 1999.
Junto com as crianças foram encontrados ao todo mais de 160 artefatos de ouro, prata e cerâmica e muitas delas estão em exposição.
O incrível é que os Incas moldavam em ouro miniaturas da vida real, ou seja, cada criança possuía consigo réplicas de si mesmas em bonequinhos vestidos com as mesmas roupas com as quais foram ofertadas.
Além disso, miniaturas perfeitas de Lhamas, cerâmicas entre outros.

La Docella foi sacrificada com 15 anos de idade, não era da alta sociedade pois seu crânio não era deformado, costume entre a “nata” para diferenciação entre os “plebeus” por assim dizer.
Ela provavelmente foi uma Virgem do Sol, educada nas Casas das Escolhidas (Allca Huasi) lugar privilegiado a mulheres com o destino de se encontrar com os deuses.

La Niña del Rayo (a menina do raio) tem esse nome pois seu corpo foi atingido por um raio e queimou parcialmente seu rosto e braço esquerdo. Ela tinha pouco mais de 6 anos e foi colocada com as pernas flexionadas e a cabeça erguida e voltada para sudoeste.

Lo Niño tinha aproximadamente 7 anos e estava sentado sobre uma túnica rosa com seu rosto virado para o sol nascente. Entre as miniaturas que foram encontradas uma manada de Lhamas conduzidas por homens finamente vestidos.

A mostra é composta por textos escritos nas paredes, objetos encontrados nas tumbas das crianças e vídeos. É preciso ler estes textos se quiser entender o que você está fazendo ali. Se ficar vendo apenas as peças, vai deixar de aprender muita coisa interessante sobre a cultura Inca.
O final da mostra se pode ver a La Donzella em uma câmara fria a -30C°. É impactante tamanha a conservação do corpo, com os braços e parte das pernas expostas; a menina parece emergida num tranquilo sono.

A cada 6 meses a direção do Museu troca a criança em exposição.
O funcionamento é de terça a domingo, das 11h às 13h e das 16h às 18h. Os ingressos custam 30 Pesos por pessoa (valor para estrangeiro).
É proibido filmar e fotografar.

Imperdível!

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