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24º DIA - UM CEMITÉRIO INCA NO CAMINHO PARA CUZCO

24º dia de viagem
Cidade: Cusco/PE | Categoria: Diário do Piloto
Postado em: 23/8/2011
Diário de Motocicleta

Hoje pela manhã saímos com destino a Cuzco.
Ainda é complicado acertar o horário, pois no Peru são duas horas a menos que o Brasil, mas nossos relógios ainda são Brazucas, e a conveniência nos faz dormir tarde e o compromisso nos faz levantar cedo. (rs)

Montamos nas motos por volta das 8h da manhã (10h no Brasil) e pegamos estrada.

Cerca de 30 km depois, passamos pela entrada de Sillustani onde se encontra o Cemitério dos Incas e Colas (1200-1450) e sem pensar duas vezes pegamos a estradinha que vai dar neste incrível sítio arqueológico.
Sillustani, em língua Aymara, significa “forma de unha” e é considerada uma das maiores necrópoles do mundo e é rodeada de uma paisagem de grande beleza, na borda da lagoa Umayo.
O complexo arqueológico destaca-se por suas gigantes “Chullpas” (torres de pedra), feitas pelos Colas e Incas, para enterrar seus mortos. São cerca de 90 ao todo, numa área de 150 hectares, e muitas delas possuem mais de 12 metros de altura, e tem na parte superior um diâmetro maior do que na base, detalhe que as faz únicas no continente.
Presume-se que foram edificadas no século X e com a chegada dos espanhóis, algumas ficaram semiconstruídas.
O culto ao parentesco ancestral era parte integrante da cultura Aymara, e as Chullpas foram construídas para enfatizar a ligação entre a vida e a morte.
O interior dos túmulos foi moldado como o útero de uma mulher, logo os cadáveres eram mumificados em posição fetal para recriar o ciclo do nascimento.

As tumbas possuem uma única abertura a leste, onde se acreditava iniciar o ciclo da vida dada pela mãe terra a cada dia.

A arquitetura do local é mais complexa do que a dos Incas que usaram pedras de diferentes formas para construir, os Cola porém, poliam as rochas em forma retangular e davam formas arredondadas as bordas dos blocos. Especula-se que durante a conquista Inca, a tecnologia Cola tenha sido introduzida no conceito arquitetônico Incaico, já que estes se tornaram escravos dos Incas.

Embora as Chullpas não sejam exclusivas de Sillustani - podendo ser encontrada em todo o Altiplano - Sillustani é considerado o melhor e mais preservado exemplo delas.
Eu entrei dentro de uma e a sensação é indescritível.

Depois de mais de uma hora explorando o lugar e tirando fotos, seguimos para Cuzco.

Ao passar pela cidade de Juliaca, vi uma loja que vendia o SOAT, Seguro contra acidentes obrigatório para rodar no Peru. Ao contrário da Bolívia que só se atribui aos veículos nacionais, aqui o SOAT vale para todos os veículos.
Paramos para comprar o nosso que inicialmente nos custaria cerca de S/.129,00. Argumentei que precisaríamos para apenas 15 dias, e a resposta é que o valor era o mesmo.
Ao ver a data de validade com 23/08/2012, vi que havia algo errado.
Reforcei que queria apenas 15 dias e que um amigo havia pago US$13,00. Neste momento a senhorita que me atendia fez uma consulta no computador e disse que poderia fazer por 13 dolares.
A consulta me pareceu fajuta, mas de toda forma, de 129 Soles nosso SOAT saiu por 36 Soles.
Pensando melhor agora, se 129 era relativo a doze meses, 1 mês deveria sair por 10,75 Soles... mas vamos acreditar que pagando anual o valor tenha desconto. (rs)

De toda forma, foi providencial nossa parada de 1h para comprar o SOAT, pois ao sair da cidade, cerca de 3 km depois, fomos parados pela Polícia Carretera que nos pediu o SOAT logo de cara. Ao apresentarmos, o tratamento mudou completamente a ponto de tiramos fotos com os policiais.
Brincadeiras e adesivos trocados, seguimos viagem em uma estrada que inicialmente nos foi muito desanimadora.

Seguimos pela Ruta 3S que por cerca de 50 km alternou entre terra batida, esburacada e remendada... depois virou um tapete sem sinalização até anoitecer de tanto que paramos para tirar fotos e filmar as incríveis paisagens que surgiam na nossa frente.

Chegamos em Cuzco por volta das 19h sem problemas algum... nem o frio esperado nos pegou e depois de rodar bastante, encontramos um hotel que possuía estacionamento para moto.

Em Cuzco, Hotel ou Hostel com estacionamento é item raro.
Nos hospedamos enquanto o Jeová e o Santana foram buscar outra estadia mais em conta.

A noite saímos para jantar e amanhã faremos um tour pela cidade.

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