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FIM DE VIAGEM

33º dia de viagem
Cidade: Fernandópolis/SP | Categoria: Diário do Piloto
Revisado em: 09/12/2017
Diário de Motocicleta

Como de costume, sempre reservo um dia para cuidar das papeladas de entrada e/ou saída da Bolívia, por conta do intenso movimento da Aduana no período da manhã.
É preferível cuidar dos trâmites no período da tarde, do que ficar horas na fila esperando a vez... até porque depois do meio dia, o lugar fica quase às moscas.

Após o almoço, seguimos para fronteira novamente (sim, você pode entrar no Brasil sem dar saída da Bolívia de boa) e seguimos logo para Migração dar baixa nos nossos “permissos” – em 2015, guiando um grupo de motociclistas, por conta da fila e da pilha de alguns integrantes para irmos embora, não dei baixa no meu passaporte... resumo da história, quando voltei para Bolívia no ano seguinte, tive que pagar uma multa por ter excedido minha permanência no país – coisa de U$S 290,00, então não desista de regularizar sua saída, achando que você nunca mais vai voltar – nunca não existe.

Regularizamos nossa saída e seguimos para Migração.
Os amigos que estão chegando agora nos relatos desta viagem podem não saber, mas tive problemas para entrar na Bolívia por conta da moto estar no nome da Kawasaki do Brasil, e me faltar a autorização correta – leia aqui o perrengue que passamos.

A orientação que me foi dada, era de ser extremamente cuidadoso no trânsito, não me envolver em acidentes, e na saída, me apresentar novamente para a Superintendente da Aduana, que autorizou minha entrada no país, e assim o fiz.

Extremamente simpática, a Superintendente quis saber detalhes da nossa viagem, mas não como uma Agente do Governo e sim como turista.
Ficou surpresa pelos lugares que passamos e disse que agora nós conhecíamos o país muito mais do que ela mesma (rs).

Demos a baixa na moto, pegamos nosso “permisso” com o carimbo de saída e nos despedimos da Bolívia.

No dia seguinte tivemos a difícil tarefa de cruzar o Mato Grosso do Sul inteiro com destino à Três Lagoas.

Este trecho de aproximadamente 800 km e um dia inteiro de viagem sofre inúmeras alterações, que temos a impressão de cruzar países diferentes, ao invés de um único Estado brasileiro.

O começo – de Corumbá para Três Lagoas – começa com um tapete de estrada, asfalto lisinho, bem pintado, sinalizado, e com um traçado delicioso com curvas, subidas e descidas.
É preciso atenção aos radares que fotografam principalmente a placa traseira e alternam entre 80, 60 e 40 km/h, e a animais que costumam atravessar a pista correndo, em plena luz do dia – imagina à noite?

Pegamos um dia de céu azul, e com o passar das horas, o calor foi aumentando e judiando da gente. Por causa do Pantanal, o calor vem com umidade e isso acaba com o ser.

Chegando no entorno de Campo Grande, a estrada tapete começa a dar lugar a buracos, remendos e caminhões, muitos caminhões que testam a sua paciência e técnicas de pilotagem a cada ultrapassagem.

Passando Campo Grande, esse fluxo de caminhões nos acompanha, com o benefício atual (NOV/17) de um grande trecho de estrada recapeada. O problema é que o asfalto novo já vem com ondulações, em alguns momentos parecido com costela de vaca, então já dá para saber que não vai demorar muito para os buracos voltarem.

Neste ponto o céu azul só estava no retrovisor, enquanto à nossa frente, um acúmulo de nuvens negras se preparava para atender aos meus pedidos de chuva ao longo do caminho – sabe aquela chuvinha gostosa que cai para refrescar? Então... vim torcendo para umas gotinhas, mas acho que foi tanto pedido, que o trem veio de uma vez só.

Passando Água Clara o céu desabou.

A visibilidade caiu assustadoramente e só paramos quando vimos a luz de freio de um caminhão que se tornou nosso guia e nosso algoz, lançando uma cortina de spray de água que me deixava mais cego.

Nestas situações costumo ficar bem atrás da roda, pois caso o motorista desvie de um buraco, tenho tempo de acompanha-lo, mas acho que o cabra não viu uma cratera e passou por cima... eu sem alternativa, fiz o mesmo e na hora senti que algo de ruim tinha nos acontecido.

Os dois retentores não resistiram ao Mato Grosso do Sul.

Chegamos em Três Lagoas encharcados, e na manhã seguinte passamos na cidade de Fernandópolis/SP, aonde mora minha filha e assim, pude juntar o útil ao agradável, ver minha menina e arrumar a moto para os últimos 650 km desta viagem.

O concerto ficou em R$ 450 (retentores, óleo da bengala e mão de obra).
Confesso que fiquei muito feliz com esse custo de manutenção, um valor justo e acessível, sem a necessidade de buscar mão de obra mega especializada, aonde somente um scanner poderia me apontar o problema.

Nessas hora é que vemos que menos é mais.
Motoca pé de boi no bom e velho estilo, óleo, gasolina e pista.

Chegamos em casa por volta das 18h realizados, em segurança e com muita história e novas informações para compartilhar com os amigos que assim como nós, dormem e acordam pensando em estradas.

Nosso agradecimento a todos aqueles que nos acompanharam, enviaram mensagens e torceram para o sucesso desta aventura. Vocês são demais!

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