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TOROTORO – A TERRA DOS DINOSSAUROS

24º dia de viagem
Cidade: Torotoro/BO | Categoria: Diário do Piloto
Revisado em: 05/11/2017
Diário de Motocicleta

Quando passamos por Sucre, visitamos o Parque Cretáceo, aonde existem o maior conjunto de pegadas de Dinossauros do mundo, mais de 5.000 delas, como descrevemos no artigo No Passo dos Dinossauros (confira aqui), e ligando os assuntos, em nossas pesquisas chegamos ao incrível Parque de Torotoro, que além de pegadas, apresenta um roteiro pra lá de radical, e muito pouco conhecido dos moto turistas, então tínhamos que conhecer.

Buscando um melhor caminho, nos deparamos com informações truncadas, de mochileiros pelo mundo que fizeram de Van ou ônibus saindo de Cochabamba, que mais pareciam bebês chorões criados pela vovozinha, do que turistas aventureiros... e as buscas por motociclistas, era tão nula quando o traçado da estrada nos mapas do Governo Boliviano... zero estrada, apesar do Tio Google apresentar um riscado.

Busca daqui, busca dali, entrei em contato com o meu amigo Ivan Greco, boliviano e motociclista, também guia de moto turismo por estes lados, e recebi um relatório com direito a fotos e tudo mais.

O sinal era amarelo... de atenção, por ser segundo ele, uma via de baixa velocidade, intercalando pedras e areias.

Confesso que fiquei gelado ao ler a palavra areia...

Não que eu tenha trauma, mas sei bem as dificuldades de rodar as estradas de areia da Bolívia com a moto carregada e a Elda na garupa – quem leu o Livro TaqueoPariu, o outro lado das viagens de moto sabe bem a que me refiro... mas estávamos dispostos a encarar esse desafio, então saímos como de costume atrasados (9h30) de Cochabamba em direção a Torotoro.

Percorremos parte da Ruta 7 contornando o Lago Angostura, e saímos rumo a Tarata, aonde entramos na Ruta 25 que nos recebeu logo de cara com uma pista de pedras compactadas.

A sensação desde o princípio foi de desconforto, como um calçamento de paralelepípedos, só que de pedras pequenas e irregulares, que nos forçaram a andar na casa dos 30 a 40 km/h no máximo... mais que isso, a sensação é que a moto desmontaria depois que nossos braços e pernas se soltassem do corpo.

A regra era paciência, e desta forma seguimos.

A paisagem foi mudando com o passar do tempo, e após uns 40 km estávamos entrando em um grande vale, onde a Cordilheira formava um paredão impressionante, enrugando todo o terreno e expondo camadas e camadas de rochas, em um testemunho claro da força da natureza.

É impossível não ficar de boca aberta diante de tanta beleza.
Fomos passando por vilarejos abandonados de casinhas simples de adobe, outros com vestígio de moradores, mas sem nenhuma alma viva nas ruas.
Um ou outro com uma venda oferecendo água e biscoitos e depois pedras e montanhas.

Passados cerca de 70 km, começamos a avistar homens trabalhando na pista, numa possibilidade de duplicação da via, ou pela quantidade de tubos de concreto, mais saneamento para a região.
O fato é que neste trecho as pedras se foram e deram lugar a terra batida, ora com pedrinhas, ora com areia, ai além de paciência, era preciso colocar em prática a famosa técnica do caranguejo... pesão no chão e respiração presa.

Nada de pânico, na verdade nenhum trecho desesperador e de certo ponto, mais confortável que aquelas pedras que a Elda batizou de Estrada da Graciosa sem fim. Como de fato, lembrava bem a sensação de descer os paralelepípedos da velha estrada rumo a Morretes, mas aqui, com uma dose extra de solidão... por muitos quilômetros estivemos sozinhos, a ponto de duvidarmos de estar no caminho certo.

Mais adiante, entramos em um desvio pelo leito seco do rio, que se estendeu por uns 5 km e foi bem chatinho, com pedras grandes e soltas que estalavam no cárter da moto. Por sorte nenhum grande solavanco.

Nesta brincadeira, as horas foram passando e a cada 10 km percorridos, comemorávamos, até que os últimos foram intermináveis, subindo uma montanha por um caminho sinuoso de zig-zag e cotovelos, que nos fez demorar a entender que Torotoro estava no outro vale, atrás daquela grande montanha.

Assim que avistamos o povoado, gritamos de alegria, com alguns palavrões impublicáveis, mas que fazem bem pra alma depois de trechos desafiadores.
Estávamos a exatos 100 km naquela estrada que nos consumiu do asfalto até ali, aproximadamente 4h30.

Mas valeu a pena.

O vale em que se encontra o povoado de Torotoro, com cerca de 800 habitantes é espetacular por si só, com uma série de arcos acavalados sobre as montanhas duras por detrás deles, em um nítido movimento do chão se erguendo e virando paredes.

Só vendo pra crer.

Nos hospedamos em um Hostel simples, tomamos um bom e demorado banho e saímos em busca de um guia para o nosso passeio do dia seguinte... não deixe de conferir o próximo artigo!

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