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TURISTANDO POR LA PAZ

Cidade: La Paz/BO | Categoria: Passeios
Revisado em: 28/10/2017
Diário de Motocicleta

Hoje foi dia de levar a Elda para conhecer lugares que costumo levar os grupos que guio rumo à Machu Picchu, quando faço escala em La Paz.

Estivemos juntos por aqui pela primeira vez em 2011, e desde então ela nunca mais voltou, eu... bem, só este ano foram duas vezes, então tinha muita coisa para curtir com ela.

Começamos saindo tarde do hotel, as vezes é bom durante uma viagem, relaxar além do café da manhã, fazer uma preguiça e diminuir o ritmo.
Dificilmente fazemos isso, ou por que estou com grupos, ou por que essas nossas viagens, apesar de alguns amigos julgarem como férias, para nós nada mais são do que trabalho... tá certo que é o melhor trabalho do mundo, mas temos o compromisso de fornecer o maior número de detalhes possíveis aos amigos, para que estes possam fazer um planejamento melhor antes de colocar a motoca na estrada, além claro, de honrar o nome dos parceiros que acreditam no propósito do nosso trabalho.

É por conta deles que estamos aqui... é por conta deles que podemos dar tantas dicas legais.

Então, descansados, pegamos um taxi direto para o Megacenter, um shopping na Zona Sul da cidade que reúne alguns restaurantes bem legais, e bem próximo, a primeira Estação do Teleférico de La Paz – Irpavi da Linha Verde.

Este passeio é bacana, por que se obtém uma excelente vista da cidade, além de andar no maior e mais alto teleférico do mundo (hoje com mais de 20 estações e cerca de 10 km de extensão).

A primeira linha foi inaugurada em 2014 depois de décadas de planejamento, e trouxe novos ares para a cidade de La Paz.
De excelente qualidade, serviço impecável e limpeza e organização, o Mi Teleferico como é chamado, vem mudando os hábitos dos habitantes da cidade, tanto no sentido do convívio pessoal, ao zelo pelo bem público.

Assim como o de Metrô de São Paulo, as linhas se interligam, e é possível saltar em uma estação e pegar uma interligação para outro lado da cidade. E foi exatamente isso que fizemos percorrendo a Linha verde até a Estação Choqueyapu, e mudando para Linha Amarela até El Alto na Estação Parque Mirador... como o nome já diz, o local oferece uma das melhores vistas da Cidade de La Paz e arredores como os Montes Ilimani (6.438m), Chacaltaya (5.395m) e Huayna Potosí (6.088m).

De uma ponta a outra (Linha Verde e Amarela) leva-se algo como 30 minutos em cabines fechadas que acomodam até 10 pessoas com folga, mas no período da tarde o movimento é muito tranquilo e não é raro fazer todo o trajeto sozinho, apesar das passadas por algumas estações.

O valor é irrisório, apenas US$ 0,85 por pessoa para percorrer este circuito de duas linhas.

Pagamos o mesmo valor para descer, e na Estação Amarela/Verde Choqueyapu pegamos um taxi para a Iglesia de San Francisco (Ah! Os taxis não possuem taxímetro e é possível acertar o valor antes da viagem, geralmente com US$ 3,50 é possível ir de um lado ao outro da cidade).

Voltando a San Francisco, o complexo é muito maior do que podemos ver do lado de fora – que já é imenso – em seu interior ainda funciona o Convento e um Museu que reúne obras sacras e, com a companhia de um guia, a história da construção e da cidade ficam muito mais interessantes, subindo até o campanário de 12 sinos.

Em meados de 1548 foi erguido primeiro o Convento, e no ano seguinte a sua fundação, iniciou-se a construção da igreja que ficou pronta em 1581 (40 anos).

Entre 1608 e 1612 (a data é incerta) a igreja desmoronou depois de uma nevasca descomunal, e somente em 1744 a nova igreja, tal qual a conhecemos hoje começou a ser erguida, tendo sua conclusão em 1790.

Quase 100 anos depois é que constroem a sua única torre e a obra está completa, com uma fachada fantástica no estilo Barroco Mestiço, ou Barroco Andino, já que indígenas trabalharam os entalhes da fachada, onde se podem ver anjos católicos de um lado e Pachamama do outro.

O interior é impressionante com vários pequenos altares e um gigantesco, principal, talhado em madeira e revestido com folhas de ouro.

O ingresso do Museu que inclui guia e um tour por inúmeras dependências do convento, até o alto do campanário custa US$ 2,80 e vale muito a pena conhecer.

Deste ponto, subimos duas quadras e já estávamos no Mercado das Bruxas, um aglomerado de lojas de artesanatos aonde é possível encontrar de tudo, de instrumentos musicais, a roupas, esculturas e até filhotes de Lhamas secos.

É uma variedade descomunal, aonde a pechincha é a palavra mágica, apesar de ser consideravelmente muito mais barato, em comparação a Chile e Peru, lugares aonde se encontram os mesmos produtos andinos – a similaridade é digna do mesmo fabricante.

Batemos pernas, fizemos algumas compras e retornamos para o hotel, prontos para descansar para nossa próxima e aguardada aventura... a Ruta de la Muerte.

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