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A MAGNÍFICA RUTA 23

8º dia de viagem
Cidade: Sucre/BO | Categoria: Diário do Piloto
Revisado em: 28/10/2017
Diário de Motocicleta

Acordei ansioso esta manhã, como se fosse o primeiro dia de viagem, apesar de estarmos uma semana na estrada.

Demorei para associar esta sensação, ao fato que pela primeira vez rodaríamos uma estrada nova e desconhecida rumo à Sucre, aonde estivemos em 2011, em nossa primeira viagem internacional.

Naquela época, rodamos de Santa Cruz de la Sierra para Sucre pela Ruta 5, em obras desde então, o que nos consumiu muitas horas patinando em uma areia fina como talco, e que narro no livro Taqueo Pariu – o outro lado das viagens de moto.

Desta vez, escaldado, optei em seguir para Cochabamba, e de lá acessar a Ruta 23, novinha em folha. Para se ter ideia, ao longo do caminho existem poucas cruzes fincadas pelo acostamento – quem viaja pela Cordilheira dos Andes sabe do que eu falo.

Saímos pelo Sul de Cochabamba e acessamos a Ruta 7 completamente em obras, aliás, o pais inteiro é um grande canteiro de obras que avança rápido, com frentes de trabalhos aos sábados, domingos e feriados. Acredito que em mais uns dois ou três anos, a Bolívia será o melhor tapete para se motocar na América Latina.

Depois de alguns quilômetros, acessamos a Ruta 23, logo depois de cruzar Punata e começar a subir, proporcionalmente a temperatura que foi caindo.
Por sorte se estabilizou em 8°C, mesmo quando atingimos 3.600 m de altitude, em meio a uma densa neblina.

Agora pensa em uma estrada TOP!
Praticamente sem retas, as curvas emendavam uma nas outras, em um zig-zag interminável, sobre um asfalto impecável e sem nenhum trânsito.

Na minha lista de estradas fantásticas, a Rua 2 que margeia o Lago Titicaca está no topo da lista, e agora a Ruta 23 tomou o segundo lugar que pertencia a BR-282 entre Floripa e Urubici – foi mal Brasil.

Por ora vou publicar algumas fotos, mas quando os amigos assistirem o filme, acho que me darão razão.

Depois de 150 km, chegamos em Aiquile, aí o capacete se encheu de nostalgia.
Estivemos em pleno perrengue aqui em 2011, como citei acima, quando chegamos nesta pequenina cidade por volta da 1h da manhã só com o café da manhã e quase congelados.
Agora, seis anos depois, tudo mudou. Com a conclusão dos trabalhos na Ruta 23 e parte da Ruta 5 até Sucre, é como se o progresso batesse a porta.
A cidade está maior, com ruas asfaltadas – antes era apenas a principal e por alguns metros – com rico comércio e muito movimento.

Além de Aiquile, quem muito mudou fomos nós, novatos por estas bandas, cheios de entusiasmos e pouquíssima noção dos riscos, quase que pude me ver do outro lado da avenida, exausto, preocupado se conseguiríamos sair dali com segurança... quase uma criança chorona.

Paramos para tomar um refrigerante e comer um salgadinho, sentados na praça da igreja, onde relembramos nosso passado nada remoto.

Seguimos viagem por uma nova estrada, e diante do meu capacete fui relembrando o sufoco que eu, a Elda, o Jeová e o Santana passamos em uma estrada de terra e pedra, bem ao lado desta estrada que estava em construção, patinando e tentando não cair, transpirando litros de suor.

O trecho que levamos cerca de cinco horas para percorrer, hoje foi feito em meia hora, e pouco ou quase nada se reconhece do traçado antigo, agora coberto por campos de plantio, casas e povoados.

O tempo urge e não para.
Tudo muda o tempo todo.

Chegamos em Sucre por volta das 16h30 e achamos nosso hotel rapidamente... ainda tenho o mapa da cidade na memória e agora vamos matar saudades e visitar lugares que não conseguimos ver anos atrás!

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