TEST RIDE 1K – KAWASAKI NINJA 1000 TOURER

Revisado em: 03/03/2018 | Categoria: Avaliações
Diário de Motocicleta

-- Alô! É a Dona Kawasaki? Sabe o que é, eu tenho um grupo para guiar até Santa Catarina e estou sem moto... vocês têm algum modelo para emprestar?
Seria para os dias 14 a 17 de dezembro!
Ah!, Só tem uma Ninja 1000 Tourer? Beleza!

De forma inconsciente, ao desligar o telefone, me espreguicei na cadeira procurando algum estalo na coluna, enquanto avaliava as minhas crenças e medos (do desconhecido) de pilotar uma esportiva através de um roteiro constituído propositalmente por curvas.

Dona Chica tá com a Macaca é um roteiro onde levo grupos a percorrer quatros serras em quatro dias, deixando claro que os pontos turísticos são as milhares de curvas ao longo de aproximadamente 1.300 km.

Não demorou para me recordar do desconforto que senti ao testar uma Bandit 650 S carenada há uns 5 anos, onde três fatores ficaram gravados na minha memória como referência de moto esportiva – posição inclinada, apoio do peso corporal nas palmas das mãos, e turbulência no capacete por uma bolha minúscula.

Na ocasião do teste, rodei uns 150km pelas rodovias Rio-Santos e Mogi-Bertioga, e não gostei nada, e agora eu teria que motocar mais de 1.400 km... eu tava lascado!

Fiz uma pesquisa sobre a Ninja no site da Kawasaki, busquei algumas avaliações e vídeos, e com essa base toda fui retirar a moto um dia antes da minha viagem.

À primeira vista... UAU!

A moto é grande e tem uma cara de malvada, por conta dos faróis, que parecem estar zangados.



As linhas aerodinâmicas seguem desde o bico através de uma carenagem mais larga que a encontrada nas Ninjas ZX10 R ou RR, no intuito de deixar a moto mais confortável para o piloto, protegendo-o contra a forte turbulência.
A bolha segue neste mesmo propósito, e mesmo maior e com três regulagens de altura, não me ganhou logo de cara, na verdade ali estava um dos meus maiores receios... o impacto do vento.

Como a proposta é uma Sport Touring, ou a associação de uma Ninja para viagens mais distantes, o tanque teve sua capacidade aumentada para 19L, embora a esta altura eu não tinha muita certeza de quantos quilômetros eu conseguiria rodar com aquele motor de 142cv.



O painel combina o analógico e o digital, e a instrumentação não foge do painel da Versys 1000 que avaliei anteriormente – Trip A e B, Indicador de Marchas, Nível do Combustível, Média de Consumo Total e Tempo Real, Autonomia em KM restantes e temperatura.
Além disso, existe a possibilidade de mudar a potência do motor nos Módulos FULL e LOW, bem como ajustar o controle de tração em 3 níveis.

Um mimo que não encontrei na Versys 1000 ABS foi uma tomada de 12V ao lado do painel.

Completando o visual, a Ninja 1000 Tourer vem com duas malas laterais de 28L cada uma, que dispensam comentários sobre a sua qualidade – o design é da Kawasaki, mas a produção é da GIVI.



Subi na motoca e logo estava esticando no Rodoanel e descendo para o Litoral pela Rod. Dos Imigrantes. Aí pude sentir a motoca e começar a quebrar alguns paradigmas.

Primeiramente o torque da criança.
Pára! O que é aquilo?!

Impressionante a resposta do motor associada a sua suavidade, por conta de uma embreagem deslizante que deixa a moto muito macia.
Para se ter ideia, por vezes ao longo da viagem eu me peguei a 65 – 70 km/h em sexta marcha sem ouvir ou sentir nenhuma falha ou reclamação do motor, e nesta baixa velocidade, bastava entortar o cabo e saltar para os 130km/h num piscar de olhos.

A diversão parecia estar garantida.

Demorei para me dar conta que o vento não estava me atrapalhando, e o esperado soco no peito não estava rolando.
Mudei minha posição na moto, de mais inclinado, praticamente deitado no tanque, para a posição mais ereta, e só senti a turbulência no capacete (escamoteável e aberto) na casa dos 130km/h – fechando o capacete, o problema sumiu.

Uma vez em casa, instalei o flange da Mala Tanque GIVI e aguardei a nossa saída.

Como sempre os grupos são formados por motociclistas de vários lugares do Brasil e busco um ponto de encontro mais central, que neste caso foi em um posto da Rod. Régis Bitencourtt.

Nos encontramos e seguimos viagem, cruzando a Serra do Cafezal, no seu penúltimo dia antes da inauguração. Devido o milagre na entrega das obras, pegamos um trânsito fluindo com tranquilidade e logo estávamos livres para seguir para São Bento do Sul, em Santa Catarina.



Aqui me deparei com um problema que não consegui solucionar a viagem toda, que foi a posição dos retrovisores. Como eles ficam na frente da bolha, na linha dos punhos, para conseguir visualizar as motos do meu grupo eu tinha que me esgueirar na frente do retrovisor, ora me curvando, ora me esticando, para conseguir enxergar todos.

Penso que isso não seja problema caso você não esteja em posição de guia. Apesar desta dança, a visualização das motos era uma tarefa difícil, mas nunca fiquei cego, sem enxergar outros veículos se aproximando, mas é fato que parte da minha mão sempre fez parte do cenário atrás de mim.

Rodamos pela BR-116 passando por Curitiba/PR em uma velocidade média de 110 – 120 km/h o que levou a Ninja 1000 Tourer a consumir incríveis 19km/L, lembrando que o motor está amaciando, com apenas 1.600 km rodados até o início deste teste.

No fim do dia, depois de rodar cerca de 550 km, cheguei inteiro no hotel, muito bem disposto e sem dores nas costas, palmas das mãos ou pescoço.
A posição na moto é confortável apesar dos braços ficarem mais esticados do que na pilotagem das Big Trails, e o banco, apesar de passar uma impressão de tatame, não doeu o bunda.

Passado esse trecho de autopista, nosso roteiro nos lançou através de uma Serra atrás da outra, começando pela Serra da Dona Francisca, depois cruzando os paralelepípedos centenários da Estrada da Graciosa, até as desafiadoras 1.200 curvas enfrentadas nos 200km da Serra Rastro da Serpente.



Finalmente pude deitar a motoca na curva com gosto e confiança, já que o centro de gravidade extremamente baixo, confere uma ciclística de fácil condução.
A tecnologia embarcada faz um espetáculo a parte, quando vários sistemas entram em ação.

Primeiro o KCMF – Kawasaki Cornering Management Function ou Função de gerenciamento de curvas, que trocando em miúdos, oferece um sistema que monitora a moto na curva, analisando motor e chassi, e controlando a entrega do motor e a força de frenagem, de forma que o piloto realize curvas mais suaves, para não dizer perfeitas.

Se isso não bastasse, a Ninja 1000 Tourer também vem com o KTRC – Kawasaki Traction Control ou Controle de tração que evita tanto o deslizamento (giro em falso) da roda traseira, como impede que a moto empine na retomada ou saída de curva.
Isso é importantíssimo se a sua moto está com baús laterais carregados e com garupa.

A cereja do bolo acredito que deve agradar os pilotos Motherfuckers e novatos, através do KIBS – Kawasaki Intelligent Anti-lock Brake System que impede que a moto, ao entrar na curva, levante a traseira quando o freio for bruscamente acionado.

Eu não faço parte desta casta de pilotos TOP TOP TOP, mas me diverti muito rodando a Serra Rastro da Serpente que está prestes a concluir suas obras – cruzamos os últimos 5km em obras.



A estrada está maravilhosa, com curvas mais largas, com traçado suave e poucos pontos cegos. Se de um lado é bom, do outro requer mais atenção e menos ousadia, pois a velocidade da pista aumentou consideravelmente, o que pode levar a mais acidentes.

Finalizamos o roteiro descendo a Serra da Macaca, através do Parque Estadual Eduardo Botelho, e por fim a Serra da Banana rumo ao litoral.

Cheguei em casa depois de rodar 1.450 km em quatro dias muito bem disposto, com um novo conceito sobre moto esportiva, mas muito mais em relação a uma Sport Touring como a Ninja 1000 Tourer.

Faltou avaliar o conforto para garupa, já que viajei sozinho por este roteiro.
Para tal, seria preciso instalar um Baú Traseiro, que não vem neste modelo, e tão pouco é oferecido como acessório pela Kawasaki, mas a GIVI dispõem além de Mala de Tanque, das ferragens e baús, bem como a bolha estendida.

Se eu trocaria uma Versys 1000 pela Ninja que tem o preço sugerido de R$ 58mil?

Hummm! Não!
Mas porque sou um piloto que migrou com a esposa de uma moto Custom para Big Trail, mas se eu fosse um piloto apaixonado por esportivas, e minha mulher estivesse acostumada a viajar com ela, teria com certeza uma Ninja Esportiva para Viagens Longas.


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