DERRETENDO NO CALOR EUROPEU

32º dia de viagem
Cidade: Madri/ES | Categoria: Diário do Piloto
Postado em: 13/7/2014
Diário de Motocicleta

Raramente consigo cumprir os planos de sair cedo do hotel, e quando o Sol se põe mais tarde, parece que entro em um estágio de “relax”.

Assim como na Patagônia durante o verão, aqui na Europa o Sol brilha até às 21h – 22h, então isso possibilita viajar com mais segurança durante um tempo maior, embora a noite não me tire da estrada.

Com essa tranquilidade, uma dúzia de e-mails para responder e uma conexão de web ruim, acabei saindo do hotel em Lisboa após o meio dia e a primeira consequência foi encarar o trânsito rumo à Almada e depois filas para abastecer.

Não falei sobre isso ainda, mas aqui na Europa quem abastece o seu veículo é você mesmo.
Existem duas maneiras de proceder. A primeira e mais habitual é ir até o caixa e comprar a quantidade de litros que desejar, efetuar o pagamento para só então ter a bomba liberada para abastecimento.
É preciso ter uma ideia de quantos litros cabem ainda no tanque. Já comprei 15L que não couberam.

Se quiser completar o tanque, é preciso encontrar uma “área de serviço” como dizem em Portugal (ou “vía de servicio” na Espanha) em que o caixa libere a bomba antes do pagamento.

Segundo amigos, isso é difícil, pois existem aqueles que abastecem e fogem.
Safado existe no mundo todo.

Pois bem, com o tanque cheio passei pelo pedágio que neste ponto, você apenas retira um ticket na máquina, que abre a cancela e você segue o caminho.

Foi minha estreia nas Autovias Europeias, embora tenha rodado algumas vias expressas na região de Lisboa, mas aqui, a primeira coisa que me surpreendeu foram placas com diversas distâncias entre postos de abastecimento com os valores do combustível declarado. Para quem não conhece a estrada, isso é fantástico, pois é possível programar a parada sem aquele fantasma da pane seca sentado na garupa (em Portugal garupa se chama pendura – faz sentido).

Voltando para estrada, não preciso dizer que o asfalto é perfeito, muito semelhante ao que encontramos nas rodovias do Estado de São Paulo (me refiro às melhores) porém o traçado é monótono e a paisagem composta apenas de campos, em especial no trecho que compreende Portugal.

Com pouca emoção no caminho, comecei a sentir sono e o calor de quase 40°C na pista começou a baixar minha pressão, e fui obrigado a parar em uma área de serviço para beber muita água.

O problema não era somente o calor e sim o ar quente... vento muito quente que mesmo rodando a 140 km/h não refrescava.

Depois de duas garrafas de água e uma na bagagem, tomei coragem e voltei para pista, mas em pouco mais de 100 km parei novamente para beber a outra garrafa.

Sentia que meu corpo se desidratava rapidamente e isso foi dispersando minha atenção a ponto de olhar no painel da moto e constatar que estava viajando a 90 km/h com a sensação de estar a 200 km/h.

Como bem avisou meu amigo Ricardo do Clube DUCATI Portugal, essa era pior hora para se viajar... mas uma vez na pista, o único caminho era em frente.

Antes da fronteira, foi hora de pagar o pedágio, novamente tudo automatizado e sem funcionários para cobrança. Lembra aquele ticket no começo da estrada? Pois bem, você insere na máquina e ela lhe cobra € 16,95 (R$ 53,40 ou US$ 24) por aproximadamente 200 km de rodovia.

Não sei precisar quando cheguei à fronteira com a Espanha, pouco depois deste pedágio, mas boa parte da tarde já havia passado.
Sem burocracia de aduana ou migração, segui viagem e na paisagem castelos começaram a surgir... alguns bem longe, outros próximos da estrada possibilitaram o entretenimento em uma via ainda muito tediosa e com um calor infernal.

Não demorei muito e parei novamente pra beber água e descobri, depois de tirar toda a bagagem da moto, que eu havia bebido a garrafa reserva e não havia mais.

Exausto, deitei na sombra da moto para descansar um pouco, quando um caminhão parou na minha frente e o motorista veio saber se precisava de ajuda.
Ele queria embarcar a moto no caminhão e me levar para Madri, o que agradeci a gentileza, mas recusei a proposta... já passei situações difíceis e não seria um calorzinho de 40°C que ia me tirar da estrada, embora já estivesse no chão.
Ele me deu uma enorme garrafa de 1.500ml de água bem gelada e seguiu viagem.

Dali a um tempo me levantei, tomei toda a água, montei os baús na moto e continuei sem a menor esperança de chuva naquele céu azul incrível.

A medida que prosseguia o calor diminuía com o Sol que baixava no horizonte e com uma hora a menos de fuso horário em relação a Portugal, já era tarde da noite quando o veio o Pôr-do-Sol.

Confesso que foram poucas as fotos neste percurso quente e tedioso, mas aprendi a lição que com o calor do verão Europeu não se brinca.

Para fechar o dia de perrengues, me perdi muito para encontrar o hotel que fica cerca de 10 minutos do centro de Madri por ruazinhas pequenas e na maioria sem nome.

Engraçado que mesmo num sábado a noite, as ruas ficam desertas, daí conseguir informação é quase uma missão impossível.

Agora instalado, vamos conhecer Madri.

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