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UMA MONTANHA RUSSA DE TEMPERATURA

6º dia de viagem
Cidade: Santa Cruz de la Sierra/BO | Categoria: Diário do Piloto
Postado em: 13/10/2017
Diário de Motocicleta

Existe uma coisa estranha que acontece comigo quando fico mais de um dia em um lugar, que é quase que um medo de partir... é estranho eu sei, e não consigo explicar e nem evitar, mas bastou 48h para aquele friozinho na barriga bater quando começo a arrumar as bagagens.

Acho que me apego fácil, ou me sinto seguro em um lugar, e partir é como sair do lugar comum, da sua zona de conforto e enfrentar o desconhecido, ainda que o destino seja um lugar já desbravado.

No fundo, eu adoro esse medo de pegar estrada, é sinal que a aventura não caiu na rotina e o respeito e atenção continuam comigo.

Foi assim hoje pela manhã quando arrumamos nossas tralhas e partimos do Pueblo de Santiago de Chiquitos rumo á Santa Cruz de la Sierra, cerca de uns 400 km pela Ruta 4, que só este ano cruzei quatro vezes guiando grupos.

Como de costume saímos tarde, mas hoje em especial, tarde demais, por volta das 10h30 da manhã... não sou adepto a partir cedo quando viajo só com a Elda, já que nosso ritmo é mais forte, com poucas e rápidas paradas. Com grupo tudo é mais devagar.

Pegamos pista, abastecemos em Roboré – cerca de 7 km a frente – batemos um papo com a dona da loja de conveniência do posto de gasolina, tomamos sorvete como em uma tarde de domingo, e só por volta do meio dia é que realmente a viagem começou.

Para quem não conhece a Ruta 4, ela rasga a Bolívia de Leste a Oeste, passando por cidades importantes como Santa Cruz, Cochabamba, desembocando na Ruta 1 que leva até La Paz.
Essa estrada já foi terrível a ponto de demorar cerca de uma semana de Corumbá a Santa Cruz (660km), mas hoje é um tapete, boa parte de concreto feita pela Odebrecht... talvez por isso um trecho de 1 km esteja em recuperação, na altura de Chochis, onde um desvio de terra foi aberto.

Mas esse não foi a maior dificuldade do dia, comparando-se com o calor infernal de 37°C que soprou durante todo o tempo, debaixo de um Sol forte que deu duas tréguas durante todo o dia, a primeira foi quando gotinhas começaram a cair, mesmo com a maior parte do céu azul e que aliviou um pouco o calor.

A segunda foi uma aliviada de responsa, com uma forte chuva durante uns 2 km que refrescou e jogou a temperatura dos 37 para os 22°C, um ar condicionado que funcionou mesmo quando o Sol voltou a brilhar, subindo a temperatura.

As roupas molhadas nos mantiveram refrescados por alguns km, até que quando completamente secos, o que caiu foi a pressão da Elda, cerca de 100 km antes de chegarmos no hotel.

Paramos para ela se recompor no acostamento mesmo, e mais adiante, em um posto paramos para nos hidratarmos.

Entramos em Santa Cruz por volta das 16h30, felizmente sem trânsito da hora do Rush e seguimos tranquilos até nosso hotel.

A noite, nosso querido amigo Luís Fernando veio ao nosso encontro e nos levou para jantar, fechando o dia com uma deliciosa carne no ponto e uma Ceveza Huari gelaaaada.

Nossa próxima parada será Cochabamba.

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